domingo, 5 de junho de 2011

Rapidinho...


Meu filho está novamente em Nova Yorque. Ele foi com o pai à celebração do Bat Mitzvah da prima, em Fire Island. E eu estou esperando a minha mãe, que deve chegar amanhã do Brasil. Na verdade, ela deveria ter vindo hoje, mas houve um problema com o voo e ela só conseguiu embarcar um dia após o previsto. Já estou contando as horas para a gente comer um bolinho juntas e botar a conversa em dia...

Imagem: da internet.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Pina - de Wim Wenders

Wim Wenders sobre Pina Bausch:

"Não, nenhum ciclone estava varrendo sobre o palco.
Eram... pessoas que se apresentavam,
que se moviam de maneira diversa da que eu já conhecia,
e que me tocavam de um modo
como jamais houvera experimentado.
Após alguns momentos, já tinha um nó na garganta,
e depois de alguns minutos de inacreditável espanto,
deixei os meus sentimentos correrem livres
e choromingarem à toa sem constrangimento.
Isso nunca me acontecera antes...
Na vida, sim, sem dúvida também no cinema,
mas não assistindo a uma encenação estudada,
muito menos uma coreografia.
Isso não era teatro, nem pantomima, nem balé,
e ópera já de jeito nenhum.
Pina é, como se sabe,
a autora (e não apenas para nós) de uma nova arte."

O texto em alemão em: http://www.pina-film.de/
Sobre o filme e sobre Pina Bausch: aqui



 Assisti a Pina, o novo filme de Wim Wenders, no período do carnaval. Em 3-D. Foi de tirar o fôlego! É impressionante com que delicadeza, sutileza e precisão ele tratou a arte, nem sempre fácil de ser digerida ou entendida, de Pina Bausch. O filme é uma grandiosa homenagem a essa excelente artista, como se fosse um beijo de despedida de Wim Wenders, cheio de sensibilidade e respeito. Quem tiver a oportunidade, vale a pena conferir.

domingo, 3 de abril de 2011

Knut emblema os nossos atos

Knut, poucos dias antes da morte. Foto: dpa

Cerca de 70 gatos pingados foi todo o contingente de pessoas reunidas ontem em frente ao zoológico de Berlim, em protesto contra o empalhamento de Knut. Para uma demonstração que aparentava levar a bandeira de um grande número de insatisfeitos, e que fora, durante dias, anunciada na internet, uma quantia bastante mixuruca. Os berlinenses parecem pensar, resignados: Knut está morto, mesmo... nada mais podemos fazer por ele. Sim, Knut está morto. E o pior é que morreu à míngua, ante a notória indiferença daqueles que deveriam zelar pelo o seu bem-estar. Desabou perante a estupefação do público que o visitava.

Knut, o queridinho de todos, com seu exército de fãs, seu magnetismo que atraía as massas, era um solitário. Uma espécie de brinquedo vivo, que foi inescrupulosamente usado. Pelo zoo berlinense, que nunca o enxergou além do lucro que ele proporcionava com as vendas dos ingressos e dos souvenirs. Pela mídia, que também obtinha grande vantagem financeira com a sua história e as  suas fotos. E até por nós, que de uma forma ou de outra, tomamos parte dessa engrenagem e pagamos, satisfeitos, por ela.

Foto:dapa

Knut não teve nada dessa glória que lhe foi supostamente dedicada. Nenhum pequeno cercado só para ele, ou a possibilidade de dividí-lo com outros ursos na mesma faixa etária; no final, faltaram, inclusive, brinquedos para ocupá-lo. E, jogado lá no seu canto, ele serviu de atração até o último instante de sua curta vida. Morreu na presença de muitos, sem contar com a ajuda de ninguém.

Nós tivemos de Knut momentos que consideramos belos. Vê-lo era como que flertar com a esperança de um mundo mais consciente, melhorado. Um mundo que nós mesmos cuidamos de destruir, com atos diários de estupidez e inconsequência, de forma paulatina porém constante. Knut, por fim, tornou-se não apenas o símbolo contra o aquecimento global do planeta, mas o emblema de como nós tratamos a Natureza que, como ele, apenas fenece ante os nossos olhos incrédulos e atônitos. Essa está sendo a nossa relação com a Vida.

sábado, 2 de abril de 2011

Knut estava condenado

Foto: B.Z.

A direção do zoológico berlinense e o Instituto Leibniz - para pesquisa de animais de zoo e selvagens, apresentaram nesta sexta-feira, em entrevista coletiva, o resultado da segunda etapa da autópsia de Knut: ele sofria, há muitas semanas, de uma inflamação cerebral, ocasionada por um vírus. A sua medula também estava comprometida. Depois de colabar, no dia 19 de março, Knut caiu na água e morreu afogado. Ele estava gravemente doente, sem chance de sobrevivência. Células cerebrais já estavam morrendo e foi detectada uma assimetria nos ventrículos. Mas não foi encontrado qualquer indício que apontasse o stress como uma possível causa da enfermidade, ressaltaram. O vírus que o acometeu ainda não foi identificado, e não está descartado que as três ursas que dividiam o cercado com ele também estejam contaminadas; até o momento, contudo, nenhuma apresentou sintomas de doença. Elas serão observadas pelos funcionários do zoo. O restante dos exames da autópsia ainda pode se estender por meses, avisaram. Knut "é, com certeza, o cadáver animal mais minuciosamente examinado na história da pesquisa sobre animais selvagens", acrescentaram. Como se isso servisse de consolo...


O diretor do zoo, Bernhard Blaszkiewitz,
na entervista coletiva. Foto: dapd

 Essa versão oficial deixa margem para uma outra pergunta: se Knut estava realmente tão doente, há semanas, como foi declarado, por que nenhum funcionário percebeu o seu estado? Foi explicado que os animais selvagens suportam uma grande quantidade de sofrimento sem dar mostras disso. Knut pode até ter padecido por meses (!) com essa infecção cerebral. Mesmo assim, não deixa de ser estranho que os cuidadores não tenham percebido a menor alteração no comportamento dele, em face a um quadro tão grave. Nenhuma moleza, falta de apetite, apatia... Nada! Dessa maneira, a impressão que se tem é a de que Knut sofreu no seu canto e morreu à mingua, sem ter passado por um exame, sequer, dos veterinários do zoo.


Foto: Lothar Mueller

Independente do resultado da autópsia, os ativistas criticaram novamente a situação de cativeiro dos ursos polares nos zoológicos, que nunca vão dispor de um espaço que atenda adequadamente às suas necessidades de locomoção. Esses animais, quando estão em seu habitat natural, chegam a percorrer 100 quilômetros por dia. Já os 34 ursos polares que vivem nos zoológicos da Alemanha, segundo cálculo da PETA, a organização de defesa animal, dispõem, juntos, somente de 9.500 m². Para quem conhece, isso significa mais ou menos o tamanho do gramado ao redor do Anjo da Vitória, em Berlim. Para esses animais de grande porte, uma área irrisória.


Foto: dapd

Na coletiva, a direção do zoo defendeu ainda os planos de empalhar Knut e cedê-lo para o acervo do Museu de História Natural (Naturkundemuseum) de Berlim, assim que os exames da autópsia forem concluídos. A pele dele, inclusive, já se encontra aos cuidados dos especialistas de taxidermia do estabelecimento. Esse plano, no entanto, vai topar com muita resistência. E os opositores do empalhamento já começam a se movimentar: eles estão organizando uma demonstração de protesto, a ser realizada em frente ao zoo, às 15 horas deste sábado, dia 02 de abril.

quarta-feira, 30 de março de 2011

O deleite de deletar


Gente ignorante sofre, viu. Pois, em pleno sábado à noite, ao invés de eu ir aproveitar a folguinha das tarefas domésticas e assistir um filme qualquer na tv ou ler algum livro, não, resolvi "surtar" e me mandar com a corda toda pras bandas do site da Picasa, pronta para uma grande faxina nos meus álbuns. Que demorou para começar, porque a "orientada" aqui teve que primeiro entender como os comandos do site funcionavam.


Quando descobri onde estava a função "deletar", foi um deleite. Não quis saber de outra coisa. Fiquei mais feliz do que pinto ciscando no lixo e mandei brasa, sem demora: essa foto está repetida, delete, essa tá feia, delete, essa já tá velha, delete... Que prático! A pasta já estava ficando organizada, bonitinha, e eu teria ficado mais tempo nesse arroubo niilista, se os sisos da razão, chegando não-sei-de-que-terras-adormecidas, não tivessem começado a tinir alto, em sinal de alarme: peraí-criatura-o-qué-que-tu-tás-fazendo?!!! Será que esse passa-esponja afetou alguma coisa no blog??? Nãããooo, que é isso?... De jeito nenhumzinho...


E lá fui eu conferir, incrédula...

Só não despenquei de vez, porque já estava sentada. Um mooonte de imagens das minhas postagens mais antigas tinham sumido, inclusive a que ilustrava os comentários, restando em seu lugar só aquele quadradinho branco, com um pequeno "x" vermelho na extremidade superior - típico de coisa que não vai abrir "jamé". Aí, foi a hora de abandonar a demência e verificar o estrago. Era grande... Aaah! Reverto tudinho agora mesmo, pensei. Bom, né? Se tivesse funcionado... Em-canto-nenhum-dessa-Picasa encontrei essa função salvadora. Depois de horas tentando o impossível, dei-me por vencida. Pensando bem, conclui frustrada, Picasa até que lembra Pica-casa, que lembra algo que se tritura, que lembra transformar tudo em picadinho, né? Por que não tive antes essa inspiração reveladora?


E agora? Bom, agora a vontade que eu tenho é de quebrar o computador, mas pensando em evitar mais esse prejuízo, o jeito é me conformar com a idéia de refazer tudo de novo - e enfrentar um megagigabaita trabalhão - ou, se for mais fácil, pegar o gaiato que desenvolveu o programa e mandá-lo catar pulga em macaco. O "deletar" azedou com o deleite da minha alegria. Arre!

Imagens: montagem de vários cliparts, desse endereço