segunda-feira, 8 de março de 2010

Fase zumbi


Juro que estou tentando postar com mais frequência, mas não estou conseguindo. Culpa tem o refrigerador da vizinha de cima. Há uns dois meses essa lata velha começou a escandalizar por salário e pagamento dos extras (só sendo) e tem pertubado como pode as minhas noites de bela adormecida. Estou sendo acordada pelo menos umas duas vezes com o tal do zuuuuum-zuuuuum-ra-tatata-ra-tatata-zuuuuuum-zuuuuuum, sem contar aquelas em que eu perco o sono de vez. E às seis da matina, todo mundo já sabe, o apito da fábrica daqui de casa se esgoela (o despertador) e está na hora de assumir o comando do barco: filho, quatro gatos, limpar, cozinhar, engomar, faxinar, fazer compras, cozinhar... Aff! Mas depois de dois meses nessa pisada, confesso que já estou usando as baterias na reserva. Levanto todos os dias com uma cara de panda que levou um soco nos olhos. E se der uma saculejada na cabeça, é capaz de desorganizar as prateleiras lá por dentro e bagunçar o resto das idéias. A coisa tá séria. Então, não esperem muito por esses dias, que eu não estou conseguindo ler nem letreiro de rua. Quando eu sair da fase zumbi, venho com mais assiduidade por aqui.

Imagem: montagem de três cliparts do seguinte endereço:

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Canto na cidade


Parece até que aos poucos a passarada está começando a voltar da sua migração de inverno. Hoje, alguns amigos emplumados soltaram o bico com todo gás. Depois de meses de silêncio, esse canto é uma verdadeira sinfonia para os ouvidos. Berlim está com uma temperatura postiva (4 graus) e um solzinho pálido tem força suficiente para levantar o astral da cidade. Enquanto os pássaros gorjeiam, uma convicção toma forma: mesmo que a temperatura decline e neve um pouco, aquele inverno brabo foi embora, definitivamente. Agora, é esperar por dias melhores. Aleluia!

Foto: dpa

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

De volta


Sabe como Berlim amanheceu hoje? Branquinha de neve, com temperatura negativa (-2 graus), enfim, fazendo jus à estação que de fato temos: esse inverno loooooooongo, impertinente, gelado, enfadonho. Agora é aguentar esse sobe-e-desce do termômetro, até que o tempo se equilibre, daqui a algumas semanas, e a primavera vá ganhando palco. Enquanto isso, o governo já pegou na caneta para preparar a conta do estrago causado pela geada permanente e apresentou ontem o resultado dos cálculos para consertar as infindáveis crateras: 25 milhões de euros. Continha boa, essa, pois deixa claro que o buraco depois não vai ser só o das ruas, mas principalmente no cofre das prefeituras. O senado vai arcar com 10 milhões e os outros 15 serão pagos pelos 12 distritos (bairros) berlinenses.


E a conta é bem meticulosa. Por exemplo: recortar um retângulo ao redor de um buraco e enchê-lo de asfalto, custa cerca de 35 euros por metro quadrado, enquanto que fresar uma área maior e betumá-la novamente com uma camada de 12 centímetros, sai por cerca de 70 euros por metro quadrado. Para alguns políticos, isso é apenas o início, pois no último ano a rede urbana de Berlim produziu, ao todo, um refluxo de saneamento no valor de 450 milhões de euros. Uma make-up bastante salgada. É, nesse inverno só quem saiu ganhando mesmo foi Knut.

Fotos: 1ª, uma das infinitas crateras espalhadas pela cidade (Bild.de); 2ª, Knut no maior relax aproveitando o que o inverno tem de melhor - para um urso polar, naturalmente (ddp).

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Adeus, longo inverno!


Oba! O termômetro atingiu finalmente os 4 graus positivos e a neve está começando a derreter, mesmo que beeeeeeem devagarzinho! Já estava em tempo! Esse inverno bateu vários recordes. Foi o 8º mais frio, desde que há medição de temperatura. A partir do final de dezembro, a neve foi se encrustando num montinho de quase 40 centímetros, uma quantidade que não se acumulava na cidade desde 1979! Janeiro começou bem para o sol, que tirou férias sem aviso prévio e se mandou para o Brasil. Enquanto aqui, ficamos a ver apenas nuvens cor de chumbo chegando e se amontoando. Foram 15 dias consecutivos sem um raiozinho minguado sequer. O que serviu para emplacar um outro recorde: desde 1908 Berlim não ficara tão cinza! Beleza! Mas os bombeiros mostraram ânimo, trabalhando dobrado nesse período e correndo como nunca para livrarem por 3500 vezes algum tipo de apuro.


Os especialistas falam que, em três semanas, se não nevar de novo e a temperatura se mantiver (toc, toc, toc!), a neve irá derreter completamente. Caso contrário (prognose ingrata!), o resto do gelo pode ficar até maio! Agora é torcer que a BSR (encarregada pelos serviços públicos) mostre eficência e vá desbloqueando os caminhos mais rapidamente. Quem não quer esperar tanto, é melhor não sentar: mais aconselhável é arrumar uma pá e muita coragem para dar uma forcinha. E só aí relaxar para ver a próxima novela: o esperado bate-boca dos políticos quando chegar a hora de planejar como serão consertados os buracos feitos nas ruas pela neve e quem vai arcar com as despesas disso. Esse promete ser um dramalhão. Imperdível.


Fotos: 1ª, O Portão de Brandemburgo refletido numa imensa poça feita pela neve derretida (Bild.de); 2ª, a BSR (a encarregada pelos serviços públicos) em ação: desbloqueando um caminho na calçada para os passantes (Christian Schroth); 3ª, crianças e voluntários com a "mão na massa"; (Uwe Steinert); 4ª, o cisne do lago congelado (Bild.de)

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Festa de Momo no gelo


E aí, como foi o carnaval de vocês? O meu, passei com o laptop no colo, catando imagens do evento brasileiro, coberta até o nariz com os cobertores. Mas estão pensando que carnaval por aqui só existe em Colônia? Não! Os foliões berlinenses vêm providenciando a sua versão da festa de Momo. E já pela 10 vez! Nesse domingo enfrentaram o frio e o gelo e foram de novo espalhar o seu colorido e alegria pelas ruas do bairro de Charlottenburg. De acordo com as estatísticas apresentadas, mesmo com esse inverno brabo, que deixa qualquer pinguim dando cambalhotas de felicidade, conseguiram puxar cerca de 700 mil pessoas para ver o desfile (só assim a gente sabe quantos corajosos existem nessa cidade!)


Durante o corso houve uma “chuva” de 50 toneladas de bombons, para alegria da criançada. Cerca de 60 carros decorados apenas por balões de sopro (faltou dinheiro para um look mais caprichado) e 2500 carnavalescos fantasiados de 92 grupos e clubes de Berlim e Brandemburgo participaram da festa. E a maior crítica não foi feita ao termômetro, mas ao descaso mostrado até agora pela Prefeitura que, segundo os organizadores, não vem apoiando financeiramente o evento. Eles dizem que, enquanto o Carnaval das Culturas, na primavera, recebe uma considerável soma em dinheiro, o “verdadeiro carnaval” sai com as mãos abanando. Dois milagres, portanto, precisam acontecer para resolver essa questão: temperatura mais humana e dinheiro na caixinha. O primeiro, se a Natureza negar, tem a ajuda dos casacos grossos, agora quanto ao segundo, os organizadores vão ter que rebolar ainda muito para conseguir que os políticos entendam que tradição não cai do céu, feito neve. Tem que ter um empurrãozinho (também financeiro) para que ela se implemente.

Fotos: o carnaval na Kudamm (uma avenida famosa daqui), tendo ao fundo a Igreja da Memória (todas da dpa).

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Gangorra metereológica


Estamos aqui numa divertida gangorra metereológica. Quando o termômetro atinge 0° e todo mundo começa a se animar, achando que ele, finalmente, vai dar um pulinho pro positivo, vem uma nova frente fria e coisa degringola. Lá temos de novo 13 ou 15 graus negativos! Knut deve estar adorando esse inverno polar, mas nós, pobres humanos, só batemos o queixo. Berlim, que normalmente é ruim de neve, com a sua chuvinha permanente quase londrina, está afundada há um tempo no gelo. Resultado: as calçadas viraram uma espécie de pista de patinar, só que cheias de “lombadinhas” perigosas. Estão super escorregadias, mesmo tendo sido polvilhadas com areia. Trazer as compras do supermercado para casa ou se deslocar para o trabalho, tornou-se um complicado jogo de malabarismo com as pernas que, dependendo da adesão do sapato ao solo, pode dar certo ou não. Os hospitais berlinenses estão cheios de equilibristas desaventurados, com um pouco de tudo: contusões, braços e pernas quebrados e até traumatismo craniano. Para os deficientes físicos e visuais os riscos de acidente são redobrados.


E como se fosse pouco, a prefeitura mostrou, mais uma vez, competência e calculou errado os sacos de areia necessários para o inverno, porque contara com uma estação mais amena. Mas o inverno decidiu não colaborar com essa economia e eu dou um doce para quem adivinhar o final da história. Isso mesmo: faltou areia! Aí, a BSR (a secretaria berlinense de serviços públicos), vendo o tomba aqui, cai ali dos transeuntes, passou a usar sal em pó, mas parou com a brincadeira, quando o produto começou a sumir das prateleiras das lojas. E agora a prefeitura calcula meio aflita o quanto vai precisar desembolsar para consertar os estragos que essa neve toda está deixando no asfalto das ruas. Esse é um lado da cidade.


O outro é que está no auge a sessão dos holofotes e flashes, pois como todo mundo já sabe, começou a Berlinale, o festival de cinema de Berlim. Esse ano comemorando uma data especial: 60 aninhos de existência. E as estrelas já começaram a sacudir a neve do tapete vermelho: além das celebridades locais e de outros países, os famosos de Hollywood: Leonardo di Caprio, Ben Kingsley, Michelle Williams, Ewan McGregor, Pierce Brosnan, Christopher Lee, Renée Zellweger, Tilda Swinton, Martin Scorsese... E como o berlinense adora entrar no ritmo dos acontecimentos, mesmo com esse frio glacial as salas estão lotando, confirmando a Berlinale como o maior festival mundial de cinema a nível de números de espectadores. Cerca de 400 filmes serão exibidos em diversas salas de projeção. E só na última sexta, 2 mil pessoas foram assistir a um clássico dos filmes mudos: Metrópolis, com Fritz Lang. Isso, em pleno ar livre, com temperatura negativa, em frente ao Portão de Brandenburgo! Ô disposição que eu não tenho! Mesmo com a calefação a todo vapor, só penso em me enrolar nos cobertores e edredon e só sair da cama pelo decreto da fome. Ah, se eu pudesse... Até a vista, viu!

Fotos: 1ª (dpa) pelas ruas de Berlim; 2ª (dpa), compra de ingressos para a Berlinale; 3ª (ddp) "Metropolis", em frente ao Portão de Brandemburgo; 4ª (ddp) a atriz chinesa Yu Nan no tapete vermelho; 5ª (ddp) Leonardo di Caprio com as fãs.

Mais informação sobre o sal que se polvilha nas ruas aqui

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Frio polar


Olhem como está Berlim! Parecendo a Groelândia. Mas pelo menos o sol já deu o ar de sua graça, embora minguadésimo. Foram 15 dias consecutivos de céu permanentemente nublado. Um recorde. E a temperatura só tem despencado: essa semana os termômetros marcaram fantásticos 17 graus abaixo de zero - e a previsão é que chegue a 20 graus negativos! É mole???


fotos: 1ª, dpa e 2ª, ddp.