
Nos últimos dias Berlim viveu sob o efeito de uma acalorada discussão, que envolveu políticos, intelectuais, artistas, educadores, pais, alunos e dividiu a população de modo geral em dois times: o Pro-ética e o Pro-reli (religião). E quem não tinha opinião formada, foi convidado a tomar um discreto lugar na arquibancada, enquanto os “adversários” engalfinhavam-se no meio de campo. A briga foi dura: rendeu debates e cartazes com personalidades conhecidas para incrementar a propaganda dos dois lados. E nesse domingo os berlinenses foram às urnas, espalhadas em 1200 locais de votação, para decidir em plebiscito (2,4 milhões poderiam votar, mas só 29,2 por cento desses deram o seu voto) qual “partido” iria ganhar a “taça”. Deu ética.



Explico. Aqui funciona assim e vai continuar depois desse plebiscito: ética é matéria obrigatória da 7ª à 10ª classe. Religião pode ser também escolhida, mas é opcional. Quem era Pro-ética queria que permanecesse assim como está, ou seja, tudo “como antes no quartel de Abrantes”: que religião continuasse uma decisão privada, como vem sendo nos últimos 60 anos. E quem era Pro-reli desejava uma virada: que já a partir da primeira série pais e alunos pudessem decidir entre religião e ética e a matéria passesse a ser também obrigatória. O que significaria ou uma ou outra, as duas não daria. Acabaria a tolerância. Os defensores da idéia argumentavam porém que quem pode decidir entre as duas matérias tem “liberdade” de opção. Ou a “obrigação de decidir”, como condenavam os opositores.


Essa briga ideológica terminou confundindo bastante. Muita gente ficou sem entender o quiproquó e concluiu que a matéria religião estava ameaçada de ser totalmente proibida. Mas foi um contigente que, por sorte, não alterou o resultado final da votação. Pro-ética teve 51,4 por cento dos votos. E é, para felicidade geral, a vitoriosa. Viva a ética!!!
Fotos: Internet
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