sábado, 13 de junho de 2009

Look alemão de moradia

Nessa minha vida na Alemanha já morei em apartamentos com vários tipos de parede. Paredes grossas e severas como muralhas; paredes finas como papel, por onde se ouvia sem grande esforço os suspiros e espirros do vizinho; paredes de concreto armado (a atual) onde para se colocar o mínimo prego é necessário o trabalho duro de uma potente furadeira.


Certa vez morei num apartamento onde as paredes eram de farinha. Incautos, meu marido e eu (na época morávamos ainda juntos) instalamos um armador de rede e, felizes, fomos estrear o nosso “luxo exótico” assistindo televisão. A alegria durou pouco, pois mal nos sentamos para ver um filme e os armadores gemeram duas, três vezes, antes de serem cuspidos vergonhosamente pela parede. O resultado foi que fomos jogados sem piedade no chão e ainda restou aquela cratera imensa, dupla, com o papel e o reboco arrebentados.


Outro tema rico em relatos sobre o look alemão de moradia diz respeito ao elevador, aqui uma peça rara. Já morei no 4º andar, com escada íngreme, sem ter um. Toda vez que chegava em casa carregada de compras e olhava para aquela rampa de degraus, sentia-me a própria Sísifo, empurrando andares acima meu “bloco de granito” - e todo dia era a mesma coisa ... Mas já me dei ao luxo de morar no térreo – com o elevador na porta! O cúmulo do esbanjamento!


E agora moro num prédio que há muito pede nova maquiagem, pois está com a fachada meio lambida. Mas o apartamento é bom - e tem elevador! Se bem que isso seja mais um eufemismo para designar aquela lata de sardinha velha, pequena, apertada. Uma verdadeira peça de museu, que arranca risos das minhas visitas brasileiras, acostumadas a outros modernismos. Mas tá lá, funciona! E eu dou graças a Deus chegar com as compras pesadas e ter aquele baú móvel, com a portinha sanfonada, esperando para transportar as minhas tramelas. O último grito da tecnologia de mil novecentos e antigamente. Só que eu preciso rezar todas as vezes para que a geringonça não desista do serviço pela metade e não me deixe presa entre as paredes.

Isso é Europa, viu, gente!!!

Imagens: internet . A última é uma montagem de três clip-arts.

4 ♫ abriram o bico ♫:

Jorge Filó disse...

Olá Zilma!
Gostei demais do teu blog. Visitei por indicação de nossa amiga Kitty, que também é de Arcoverde. Massa! Um xêro pra tu e venha passar o São João com a gente na sua terrinha!

Thatiana Mirella disse...

É isso é Europa! mas você tem outros "luxos" que nós não temos. A qualidade de vida, a falta de violência, a cultura, as pessoas educadas que respeitam a privacidade do outro... O que me dói aqui no Brasil é que temos elevadores maravilhosos, cobertos de luxo, com espelhos, tapetes, existem até os "turbo" que vão do 1º ao 14º em segundos, mas falta a educação e respeito ao próximo luxos cada dia mais distantes. A falta de vergonha dos congressistas, que roubam na maior cara de pau, a grilagem de terra, os "playboys" que fazem do porta-malas dos carros uma disco ambulante e nos obriga a ouvir músicas cada vez mais pornográficas, as escolas que não reprovam mais os alunos e resulta em crianças no 2º grau sem saber interpretar um texto ou assinar o próprio nome, analfabetos que são aprovados em vestibular, enfim prima o Brasil que você deixou há 20 anos está longe de ser o Brasil de hoje. Muita coisa melhorou nesses 20 anos é verdade a economia externa vai muito bem, o relacionamento do Brasil com o mundo também vai bem, a tecnologia nos fez despontar no mundo da telefonia (caríssima mas todos têm acesso), processo eleitoral (o melhor do mundo), balança comercial superavitária... Mas no que é básico para uma nação desenvolvida nós continuamos engatinhando e eu me pergunto "um dia vamos aprender a ler"? um beijo.

Zilma disse...

Jorge, meu querido, se eu pudesse pegaria o próximo avião. Já estou pensando há dias em canjica, pamonha, queijo coalho assado... Ai, meu Deus do céu, que delícia! Você não sabe como essa "fartura" faz falta nessa outra banda da Terra... Abraços.

Zilma disse...

Oi, Thati! Nossa, que desabafo! Pois é, o Brasil e suas mazelas - antigas e recentes. Fiz o texto, apesar de bem humorado, para mostrar que neste lado do Equador nem tudo é perfeito e muito do padrão pessoal que a nossa classe média está habituada, inexiste por aqui (o elevador é um dos exemplos. Como também área de serviço, porteiro em edifício, empregada doméstica... e por aí vai). Muito da qualidade made in Germany deu uma caída nos últimos anos (saúde, educação, etc) e a previsão é que, com toda essa crise econômica, a coisa despenque ainda mais. Mesmo assim, não dá para comparar os benefícios sociais que existem aqui com a cratera de falta no Brasil. Querendo ou não, é um peso diferente ser Europa e primeiro mundo. Mas concordo com você: várias carências nossas poderiam ser minimizadas com bons projetos, iniciativa e boa vontade. Sem dúvida. Beijos.