
Sabem como é que eu escrevo as minhas postagens? Enquanto guardo as compras e espero que o arroz apronte. Não raro, com quatro gatos saltitando nos meus pés ou o meu filho perguntando onde estão as meias, qual o quitute do dia, mamãe-cadê-meu-sorvete, cadê-a-camiseta-tal, cadê... Isso, tomando cuidado para um certo Sr. Merlin, danado, não dar cabo dos fios maravilhosos do computador – coisa que ele faz tão bem e gosta ... (Saibam mais em "Os nossos gatos").
Como se essas “facilidades” fossem poucas, vem o empecilho maior: trilhar, sem tanto vexame, os descomunais penhascos da nossa gramática, repletos de abismos colossais. E, se deixarmos de lado as colocações incorretas das pontuações e as transgressões nas regências, às vezes até consigo, mesmo tropeçando um pouco. Outras, para não cair de cara, tenho que sair ladeira acima da ortografia, com o dicionário em punho, corrigindo os sufocos. Mas o ruim, mesmo, é quando a “besteira” passa despercebida, por descuido ou ignorância, e fica aqui no blog, pra quem quiser ler, como se fosse a coisa mais natural do mundo – até que um belo dia descubro (se descubro!) e quase me engasgo com o deslize, mas aí já é tarde demais. Ele reina absoluto entre outros posts já publicados e está há um bom tempo circulando solto no planeta online.

Agora não há mais nada a fazer do que defender a teoria do “antes tarde do que nunca” e remendar a bobagem – não sem antes imaginar uma plaquinha com uma nota quase policial: aqui jaz o bom senso da gramática de língua portuguesa. Morreu pelo atrevimento de querer confundir os neurônios já inseguros de uma expatriada. Foi assassinado por uma dona-de-casa, cujo ápice literário é o de preparar a lista das compras e ler os textos dos produtos de limpeza e das bulas de remédio.

Assim, pessoal, quando vocês virem aqui e ali, um “s” que escandalosamente mostra a perna e se transforma num “z” ou outro que timidamente se esconde do plural; letras acometidas de um súbito ataque de megalomania que, sem motivo aparente, transformam-se em maiúsculas; ou que de repente, acossadas por um surto de inibição, encolhem no lugar errado – e variações parecidas – fechem por favor os olhos e passem adiante. Talvez eu tenha tido sorte e o arroz tenha saído incólume da história: no ponto e não todo tostado. A esperança, nesse caso, é a última que morre.
Imagens: Fiz uma montagem nas gifs para haver uma maior adaptação ao texto. O original de todos os cliparts usados nesta postagem vocês encontram no Clipart Guide .
Se os links não funcionarem: O 1º, o post "Os nossos gatos", vocês encontram nos arquivos de maio. O 2º, o endereço é http://www.clipartguide.com/

0 ♫ abriram o bico ♫:
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