
A greve está na ordem do dia. Durante toda esta semana, estudantes universitários e do ensino fundamental/médio estão se organizando, na Alemanha inteira, para protestar em várias frontes contra a miséria na qual o ensino vem escorregando cada vez mais: métodos pouco efetivos ou ultrapassados, a crônica falta de dinheiro para se investir em educação, o estúpido aprendizado de cor, salas de aula com muitos alunos, falta de professores... A lista das insatisfações é grande. No país todo está havendo discussões, leituras em público e passeatas. E o ponto alto será uma demonstração, nessa quarta-feira 17, em toda a Alemanha. Berlim está participando intensamente do protesto e também nesta quarta os estudantes vão se reunir em apoio ao levante em frente à Rote Rathaus, a prefeitura principal, em Mitte.

O interesse pelo protesto é grande. A crise econômica mobiliza ainda mais. A verba que o governo destinou recentemente para as ciências é vista por muitos como insuficiente e com importância desfocada. Os estudantes reclamam que o dinheiro incentiva apenas a um grupo elitista e a construção de universidades, mas o melhoramento no ensino não é atingido e as escolas também não recebem nenhum benefício direto daí. Por isso eles querem que o governo invista mais no setor e exigem um pacote de ajuda para as escolas e universidades no valor de mais de 100 billhões de euros, destinados a um fundo especial para o aprendizado livre e melhor (Sonderfonds für bessere und freie Bildung - SofbfB).

Por sua vez, os professores estão querendo aproveitar o embalo das demonstrações estudantis e através do Sindicado de Educação e Ciência protestar por um pagamento mais justo para eles. Nessa quarta-feira os pedagogos também vão engrossar as fileiras dos insatisfeitos, planejando para a partir de 11 horas uma greve de aviso.
Vamos aguardar o resultado efetivo de todas essas demonstrações e as respostas apresentadas pelo governo.
Imagens: 1ª e 2ª - internet. 3ª - AP.
2 ♫ abriram o bico ♫:
Até parece que você está falando do ensino no Brasil, mas com uma sutil diferença, os estudantes alemães brigam por mais investimento nas escolas e melhora no ensino, enquanto os estudantes daqui estão muito satisfeitos com a falta de qualidade. Eles (professores e alunos) acham que o ensino no Brasil vai muito bem. A única coisa que os professores brasileiros têm em comum com os alemães, é a insatisfação com o salário. É a crise econômica não escolhe vítimas, atinge ricos e pobres. Beijos.
Oi, Thati...
Ontem foi um dia meio duro e não deu para passar por aqui. Mas encontrar o seu comentário, hoje, é uma agradável surpresa. Não estou a par de como anda o sistema de ensino no Brasil, até porque desde que eu saí daí (há uma pequena eternidade atrás), ele já passou por reformas, não sei se para melhor ou pior. Ou tudo continua na mesma só com outros nomes? Aqui, no ensino fundamental/médio, não é raro classes com até 35 alunos. E nas universidades os estudantes assistem aula em auditórios muitas vezes lotados. Mesmo assim, acho o nível daqui incomparavelmente melhor. Beijos.
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