Este sábado em Berlim teve as cores do arco-íris. Foi o dia da parada das lésbicas, gays e transexuais pelas ruas da cidade, o Christopher Street Day (CSD), que esse ano, na sua 31ª edição, empunha um novo nome: agora se chama “Pride Parade”. Contando com 55 carros, cerca de dez mil participantes e mais de meio milhão de espectadores espalhados por todo o trajeto, a parada partiu da Kaiser-Wilhelm-Gedächtnis-Kirche (a Igreja da Memória), na Kudamm, a famosa avenida em Berlim-Oeste (ex-lado Ocidental), ziguezagueou pela cidade com o seu colorido, passou pelo Portão de Brandemburgo e desembocou no Anjo da Vitória, o ponto final do percurso.
Com o tema “Stück für Stück ins Homoglück – Alle Rechte für all!” (tradução meio tosca:“Pedaço por pedaço na felicidade homo – Todo direito para todos!”) os integrantes engajados exigem uma mudança no artigo 3º da Constituição, que até o momento diz que ninguém deve ser prejudicado por conta do seu sexo, descendência, raça, idioma, procedência, crença e opiniões. O movimento dos gays e lésbicas querem ampliá-lo com o ítem “identidade sexual” – para que também essa discriminação passe a ser punível. Outras reinvidicações são: mudança nas leis do estado civil e do prenome, direito de matrimônio para todos e uma ampliação no programa berlinense de saúde sexual. E por fim, a comunidade exige o que ainda falta, mas deveria ser óbvio: respeito. “Nós não precisamos ser queridos, mas queremos ser respeitados”, declaravam.

A cerimônia no monumento dos homosexuias perseguidos durante o Nazismo foi obrigada a terminar antes do tempo por conta de um acidente. O antigo prisioneiro do campo de concentração Buchenwald, Rudolf Brazda, de 96 anos, escorregou e caiu do pedestal onde estava discursando, ferindo a cabeça. Até que a ambulância chegasse, ele recebeu assistência do prefeito de Berlim, Klaus Wowereit (que também discursou) e da polícia. Brazda ficou encarcerado entre 1941 e 1945, quando a II Gerra Mundial acabou, por conta da sua homossexualidade.

Eis um trecho de Wowereit, que é assumidamente homossexual:
“Caso vocês ainda não tenham percebido, a nossa sociedade tem diariamente o’Dia da Rua de Gustav’ para os heteros, pois nós vivemos num modelo social heteronormativo (vocês gostam de ler - procurem por Heteronormatividade na Wikipedia), onde grupos definidos como minorias encontram muita dificuldade.
Por outro lado (...), gostaria ainda de dizer para vocês que o sistema heteronormativo não é “a verdade”, mas simplesmente o modelo que prevaleceu há algum tempo na cristianizada sociedade européia. E por isso é também importante que gays e lésbicas chamem atenção para o fato de que eles estão aí e que para muita gente o sistema não faz justiça.”
Falou e disse. E se eu não me engano, esse discurso de fácil interpretação pode ser compreendido até na Cochinchina.
Fotos:
Falou e disse. E se eu não me engano, esse discurso de fácil interpretação pode ser compreendido até na Cochinchina.
Fotos:
1ª e 2ª DDP - início do desfile na Gedächtnis Kirche, na Kudamm.
3ª Reuters - o prefeito de Berlim, Klaus Wowereit (SPD), no meio, com Renata Künast (do partido Verde) do lado esquerdo.
4ª - Klaus Wowereit abraçando carinhosamente o seu companheiro de longa data, o neurocirurgião Jörn Kubicki ( 2006).


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