segunda-feira, 13 de julho de 2009

Coisa de imigrante, como sempre


Como se fosse fácil ser uma imigrante, pior, imigrante latina, brasileira, nordestina, pernambucana, arcoverdense-recifense – eita, danou-se! – tenho que aguentar agora outro chavão: o de ser também imigrante digital – e o quer que isso signifique. Só tá faltando no momento alguém me pedir passaporte, visto e carimbo para navegar na internet. É de deixar um complexado, sinceramente. E chamam de “e-migrante” aquela criatura carente de bits, que não entende bolhas nem folhas sobre as novas tecnologias – e leia-se aqui não conseguir mexer corretamente nem sequer no controle remoto da televisão – mas tá tentando dar as primeiras braçadas nesse agitado oceano digital, mesmo que quase se afoge numa bacia por não saber “surfar”.


E o termo já se tornou oficial. Foi cunhado em 2007 por um certo Marc Prensky, pensador e desenvolvedor de games. E dá pra ver que esse cidadão gosta mesmo de uma brincadeira, porque em contrapartida aos imigrantes virtuais, ele criou outro distintivo: o de nativo digital, que são aqueles felizardos que nasceram em plena era da informática – a geração internet – e não têm a mínima dificuldade em lidar com tecnologias. Só falta alguém chegar e alcunhar a esses de “originais” e aos outros de “falsificados”. Sim, porque a conversa é que os imigrantes digitais falam a linguagem digital “com sotaque, sem desenvoltura, sem fluência”, em suma, são travados, enquanto o nativo “fala com naturalidade e pertinência, sabendo ler inclusive na tela do computador.”


Pronto, o tom agora mudou para analfabetismo virtual! Ou será que eu me engano? Com tantas terminologias – blog, flog, widget, gadget, upload, backup, e por aí vai – só tá faltando uma notinha sobre a nossa gagueira ao pronunciá-las. E se depender dessa nova teoria, está na hora de agilizar a expansão do meu perfil, ficando assim: imigrante – imigrante digital – latina – brasileira – nordestina – pernanbucana – arcoverdense-recifense – analfabeta virtual e gaga nas pronuncias. Tem mais??? Santa Iluminadora dos Desinformados me acuda!!! Ainda bem que já sacramentaram uma data, o 18 de dezembro, como o Dia Internacional do Migrante. Seja ele de que tipo for. Do jeito que a coisa anda, a data precisa ser transformada rapidinho em feriado nacional. Melhor, mundial! E eu já vou começar a providenciar umas bandeirinhas...

um texto sobre o tema

Imagens: 1ª - uma montagem a partir de três cliparts; as outras: internet.

P.S.: o "arcoverdense-recifense" deve-se ao fato de eu ter nascido na primeira, mas desde os 16 anos manter a segunda cidade como a minha referência neste mundo. E já há uma longa data...

2 ♫ abriram o bico ♫:

Giane disse...

Oi, Zilma!

Menina, fiquei seis meses com um certo sistema de miniblog parado porque não sabia usá-lo.
Até o dia que cismei em desvendar o "tal passarinho azul" e em uma semana já estava me virando bem.
Para mim, o pior seria não "xeretar" e por vergonha dos "nativos" não aprender. Então, vou lá, xereto e aprendo.

Em tempo: "os nativos" nasceram sabendo? - :)

Beijos mil!!!

Zilma disse...

Oi, Giane!

Minha querida, jogamos no mesmo time: somos duas teimosas, xeretas virtuais (mais um termo, viu?). Você não queira saber o quanto os meus neurônios já suaram para formatar esse blog! Também quando não consigo de início alguma coisa, tenho que aprender sozinha o "caminho das pedras", pois não tem um cristão, no raio de 10 mil quilômetros, que me ensine. É fogo! Mas um dia eu chego lá! Beijos!