
Hoje está completando 48 anos que o Muro de Berlim foi construído, separando brutalmente a cidade em duas partes. Para entender como isso começou, vamos voltar um pouquinho na História. Depois da Segunda Guerra Mundial, a Alemanha foi dividida em 4 setores, como se fosse um bolo, pelos aliados: EUA, França, Grã Bretanha e União Soviética. Berlim estava localizada no pedaço soviético, mas por ter sido a capital alemã e sede do Terceiro Reich, foi também dividida em quatro partes, sendo administrada, como no resto do país, por cada um dos vencedores da guerra. Quer dizer, já antes da construção do Muro, o país fora submetido a dois tipos de governo e de economia: o capitalista (dos aliados ocidentais) e o comunista (dos soviéticos). As divergências ideólogicas entre ambos, no entanto, logo se fizeram sentir e começou uma queda de braço, resultando em conflitos indiretos e disputas estratégicas, que o mundo conheceu por Guerra Fria.

Já em 1948 os soviético decidiram bloquear a comunicação dos três setores do Oeste em Berlim com o resto do país, interrompendo o acesso ferroviário e rodoviário a eles. E com isso, isolaram cerca de dois milhões de pessoas que aí residiam. Os aliados ajudaram a população, trazendo alimentos e outros gêneros básicos de avião, fato considerado até hoje como a maior ação humanitária aérea da história. Mas os conflitos continuaram e em 13 de agosto de 1961 o lado comunista inaugurou uma nova etapa, quando começou a erguer o Muro de Berlim, separando de fato a fatia do bolo que lhe pertencia, escoltado pelo exército, policiais e grupos de luta, ante os olhos atônitos da população. Até então, não era problemático para o povo ir de um setor a outro da cidade. Diariamente, meio milhão de pessoas cruzava as “fronteiras” para se divertir, trabalhar, fazer compras, visitar parentes ou amigos.

Depois do Muro, essa liberdade de ir e vir acabou. Ruas foram fechadas, os metrôs – subterrâneo e de superfície – interditados, e até para visitar o cemitério era necessário uma permissão especial. Foram 28 anos de divisão, até a queda do Muro em 1989. Ao longo desses anos, cerca de 136 pessoas morreram tentando furar o bloqueio, que se estendia por cerca de 167 km, e fugir para o lado ocidental. E hoje Berlim volta a pensar nessas vítimas. O prefeito da cidade, Klaus Wowereit, irá colocar uma coroa de flores na Bernauer Straße, em Mitte, e na Capela da Reconciliação, na antiga Zona da Morte, velas foram acesas durante uma cerimônia religiosa.
Fotos: 1ª, akg - images; 2ª, ap; 3ª Ullstein Bild - Czechatz; 4ª e 5ª, internet.
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