Por aqui, os anjinhos continuam assando bolo a todo vapor e agora escancararam de vez a porta do forno, deixando-a aberta. Essa quinta-feira foi coroada como, provavelmente, o dia mais quente do ano: os termômetros indicando uma leve febre, bem acima dos 30 graus (no sudoeste alemão foram medidos, inclusive, inacreditáveis 37,8°!!!), céu azul límpido, sem nuvens, e o cidadão comum, que por pouca sorte precisou pegar transporte coletivo ou ir ao supermercado, suou baldes, mas não sem antes xingar o calor como podia (e achava que o ouvido do outro merecia!). Só a partir desta sexta é que as chuvas estão sendo aguardadas e, com elas, um declínio nessa estufa.

Em dias como esse, quando os ponteiros superam os 26°C na sombra, o país entra, por lei, numa outra velocidade. Isso é motivo para o famoso e esperado “Hitzefrei” (tosco: livre de calor). As empresas sem ar-refrigerado (leia-se: a grande maioria) liberam os funcionários mais cedo e sem prejuízo para eles, se a temperatura no interior do ambiente de trabalho atingir esse patamar. Nas escolas, o nível já é medido na parte externa, no pátio. Se estivesse havendo aula, seria o momento da direção interrompê-la e mandar os alunos para casa, para a felicidade de todos eles.

Mas como é o período das longas férias (seis semanas), quem não está viajando ou já chegou de viagem, precisa encontrar o que fazer. Num dia como esse, as piscinas públicas ficam superlotadas, os lagos, idem. O dia convida à tranquilidade, aos sorvetes maravilhosos, ao descanço num parque, com água mineral, esteira e um bom livro do lado. Andar de bicicleta para lugares próximos é também uma boa alternativa. Assim como dar um passeio de barco. Só está cortado o transporte coletivo, principalmente o ônibus, a não ser que a pessoa não possa mesmo evitar ou não se incomode de se sentir uma sardinha na brasa.

É sempre a mesma ladainha, o país depara-se com essa estação todos os anos, mas continua despreparado para ela. Aqui existe uma superinfraestrutura para o frio, mas no calor todo mundo é cozinhado na maioria dos lugares. Os ônibus urbanos, metros e bondes, por exemplo, não têm arcondicionado e as janelas não abrem, exceto na parte superior delas, que inclinam. Com essa temperatura, viram uma sauna ambulante. As salas de aula não dispõem de um mísero ventilador. E só alguns supermercados possuem esse "luxo" no teto.

Mas existem os oáses térmicos: os bancos são sempre fresquinhos, assim como os shoppings e as grandes lojas, os cinemas ... Tja, o negócio é "catar" – ou ir para a amplidão muito mais convidativa do passeio ao ar livre. Com esse sol e a perspectiva de um próximo e inevitável inverno, todo mundo adquire de bom grado a síndrome do jacaré: deita-se (melhor na sombra!) e deixa que o mormaço e a preguiça relaxem os músculos lentamente. Ô vidão!!! ☺
Fotos: 1ª, 2ª, 3ª, 5ª e 9ª, dpa; 4ª, ddp; 6ª, Mathias Hetzinger; 7ª, Claudius Prößers; 8ª, David Heerde.

2 ♫ abriram o bico ♫:
Olha eu aqui outra vez!
Vocês devem está torrando mesmo. Lembro que quando morava na Inglaterra passava esse mesmo sufoco, lá também não tem ar refrigerado nas escolas, ônibus, metrô (onde as janelas também não abrem, apenas as bandeirolas que não servem para circulação de ar), repartições públicas, enfim... lembro que íamos assistir aula nas galerias de arte ou museus, tinha a opção de irmos aos parques também e, como os alemães, parecíamos jacarés estirados ao sol com livros e garrafas de água. Parece que não ter refrigeração nas edificações é um problema de toda a europa que passa a maior parte do ano congelando, não é!
Beijos
Oi, Tathi.
Que bom vê-la aqui de novo! Eu já lhe disse: esse blog é nosso! Sinta-se por favor bem vinda - todas as vezes, viu?
É, sobre o ponto "refrigeração" o caso é duro. Mas hoje já deu uma refrescada, pois está chovendo o dia todo. Fui despertada cedinho com o ronco pesado dos trovões. Tja, o clima tropical parece já estar dando o tchauzinho por este ano. Beijos.
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