Ontem a noite foi coroada com um debate político muito esperado, transmitido pela televisão. O encontro de dois ouriços gigantes: Angela Merkel (CDU), a atual chanceler alemã, e o seu vice, Frank-Walter Steinmeier (SPD). Mas dessa vez, não como dois líderes na chefia do país, e sim como concorrentes ao mesmo cargo, que ficará vago no próximo 27 de setembro, quando haverá as eleições federais. Quer dizer, ou Angela se mantém como a chanceler alemã, ou terá que passar o posto para Steinmeier.

E por isso esse debate estava prometendo ser uma sensação, pois muitos já apostavam num verdadeiro fuzilamento verbal com transmissão ao vivo, enfim, um duelo de gigantes. Melhor do que isso, só novela mexicana. Quem ligou a tv pensando em ver algum dos dois decapitado, enganou-se. O duelo virou um dueto. Foi um debate sóbrio, mais pragmático do que emocional. Mesmo assim, destituído de paixão, alguns concordam que Steinmeier saiu-se melhor e que Merkel, mesmo tentando manter-se soberana, aparentou recuo em alguns temas, como a delicada questão do desemprego.

A crítica maior dessa vez não caiu nos ombros dos políticos, mas no formato do debate: 4 jornalistas para 2 entrevistados, uma sucessão de perguntas que se acumulou mais do que esclareceu, uma sopa de palavras com muito condimento, mas que não esquentava. E foi esse mingau consistente, embora frio, que os telespectadores foram obrigados a engolir, pelo menos os 14,21 milhões que estoicamente ficaram ligados na telinha. Logo após o debate foi mostrada uma parcial sobre a pergunta “Quem é o melhor?” Steinmeier recebeu 31% dos votos, Merkel 28% e 40% optou pelo empate. Agora é esperar qual o ponto desse caldo no próximo 27 de setembro.
fotos: 1ª (dpa) assistindo pelo computador; 2ª (B.Z.) Angela Merkel e Frank-Walter Steinmeier no debate da tv; 3ª (B.Z.), os 4 jornalistas que mediaram o debate, da esquerda para a direita: Frank Plasberg (ARD) Peter Limbourg (SAT.1), Maybrit Illner (ZDF) und Peter Kloeppel (RTL).

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