


Em 9 novembro de 1938, agentes nazistas à paisana engataram uma marcha horrorosa no país (mas também na Áustria), que ficou conhecida como a “Noite dos Cristais” (o nome deve-se aos vidros das vitrines e janelas espatifados nas ruas). Mataram judeus, incendiaram sinagogas, destruíram e saqueram lojas, residências e até cemitérios judaicos e iniciaram o confinamento de membros da comunidade em campos de concentração. Como justificativa a esses atos de violência extrema, usaram um fato que ocorrerra 2 dias antes em Paris: o assassinato de Ernst von Rath, um diplomata alemão, por Herschel Grynszpan, um judeu de apenas 17 anos, um adolescente. Um crime selando oficialmente a discriminação e a perseguição sistemática de todo um povo; a morte de um indivíduo culminando com o Holocausto. Na verdade os dois, morto e criminoso, servindo de isca para um plano diabólico de Hitler: usar os judeus como bode expiatório, acusados pela responsabilidade de todas as mazelas da época. E no final, promover o aniquilamento de 6 milhões deles, confirmando assim a sua política de limpeza étnica.
Enquanto o mundo festejava (com razão!) esse 9 de novembro como os 20 anos da queda do Muro, membros da comunidade judaica alemã promoviam cerimônias em suas sinagogas por várias cidades do país, para lembrar que há 71 anos, no mesmo dia, foi dado o pontapé inicial para o genocídio. Os dois lados de uma moeda de como a História desfecha os fatos; a luz e a sombra de uma única data: uma, unindo e libertando os povos, outra, separando e dizimando – alegria inebriante ou dor dilacerante nas lembranças; reencontro, início e novos horizontes para uns, desterro, confinamento, separação, perda e morte para outros. Dois pratos desiguais na balança do Destino. Dois momentos ímpares que se afastam lentamente do Hoje ao encontro da Eternidade. A cada 9 de novembro a História volta a tocar a sua música, mas reparem que as notas que compõem o hino de júbilo são as mesmas para a marcha fúnebre. E os nossos ouvidos, também um par, podem ouvir – e distinguir – ambas, pedindo aos céus para que nunca, mas nunca mesmo, o lado de sombra se repita.
Mais sobre o tema:
Em português
http://pt.wikipedia.org/wiki/Noite_dos_cristais
http://www.dw-world.de/dw/article/0,,672173,00.html http://www.morasha.com.br/conteudo/artigos/artigos_view.asp?a=416&p=0
Em alemão
http://de.wikipedia.org/wiki/Novemberpogrome_1938
Fotos: 1ª (ap) Berlim em festa, nas comemorações dos 20 anos de queda do Muro, em frente ao Portão de Brandemburgo; 2ª (dpa), estrela de Davi no outono, uma alusão à data; 3ª (internet), a sinagoga de Hanover sendo consumida pelas chamas na Noite dos Cristais de 1938; 4ª (internet), essa foto me incomoda há uma longa data, embora até hoje desconheça a sua autoria. Ela foi tirada no(s) dia(s) subsequente(s) da Noite dos Cristais. Reparem o cinismo dos transeuntes, ante os vidros espatifados e as lojas saqueadas dos judeus. Um clique na crueldade da época.

0 ♫ abriram o bico ♫:
Postar um comentário