
Nefertite significa para o Novo Museu de Berlim o que a Mona Lisa representa para o Louvre, em Paris: a obra de arte mais importante da coleção, o ímã que atraia e fascina multidões, o triunfo absoluto de bilheteria. O seu nome quer dizer “a mais bela chegou”, o que não constitui exagero tendo em vista os traços fenomenais do seu rosto, esculpido no busto de calcário, tido há muito como ideal de beleza – e da perigrinação que essa peça foi obrigada a enfrentar anos afora. O busto foi descoberto em 1912 por Ludwig Borchardt, um arqueólogo alemão, na cidade de Amarna, no Egito, mais precisamente, nas escavações feitas numa oficina, onde muitas peças foram elaboradas e guardadas, de um escultor que vivera há mais de 3 mil anos e trabalhara para os faraós.

O busto foi transferido posteriormente para Berlim. Aqui, no Novo Museu (o da época) ficou exposto até a eclosão da Segunda Guerra Mundial quando, por receio aos bombardeios, foi colocado em segurança nas salinas de Harz (uma cordilheira no centro da Alemanha). Depois da Guerra, os americanos se apropriaram do busto e o enviaram para Frankfurt, daí ele seguiu para o museu de Wiesbaden. Em 1956, contudo, Nefertite voltou para Berlim. Inicialmente, ficou no museu de Dahlem (um bairro) e em seguida veio para o Museu Egípcio, que na época se localizava no bairro de Charlottenburg. Com a queda do Muro e a reunificação alemã, o caminho ficou livre para a sua volta ao Novo Museu, mas como esse só tinha as paredes e por dentro era um bom amontoado de ruínas, o busto foi para o Museu Antigo e lá esperou paciente todos esses anos pelo fim da renovação do Novo Museu. Agora, depois de 70 anos e muitas idas e vindas, pode-se dizer que o busto “voltou para casa”. Já era tempo.

E quem foi ela?
Com a descoberta do busto surgiu também a curiosidade de saber quem tinha sido e se realmente vivera tão bela mulher, pois até aí ninguém ouvira nada sobre ela. Para isso, os arqueólogos escavacaram mais e mais a região e foram trazendo à tona outras peças que ajudaram a contar a história de Nefertite. Ela foi uma importante rainha egípcia da 18ª Dinastia, reinou há mais de 3400 anos e era esposa do faraó Amenófis (Amen-hotep) IV, ou ainda Akhenaton, o mesmo que fez uma drástica reforma no culto ao deuses do Egito, substituindo o politeísmo pelo monoteísmo, mais precisamente, pelo culto ao deus-sol Aton. Eles casaram bastante jovens, tiveram 6 filhas (das quais 4 morreram cedo: uma por afogamento e 3 em decorrência da malária) e foram ainda o primeiro casal real a mostrar a vida privada nas reproduções (a fotografia de então).

Existem várias teorias tentando explicar o motivo de Nefertiti, a partir de uma certa altura, não ter sido mais mencionada nas inscrições. Inicialmente pensou-se que ela fora descartada e substituída por Kia, a 2ª mulher de Akhenaton. Outra hipótese considera que Nefertiti tenha mudado de nome, passando a ser co-regente. Há ainda os que defendam que ela, ao ficar viúva, governou o Egito ainda por dois anos. E outra fonte fala da possibilidade dela ter sido assassinada pelos sacerdotes que não aceitavam o culto ao deus Aton, para desestabilizar com isso o faraó e ter de volta o politeísmo. De qualquer modo, Nefertiti e Akhenaton morreram de forma misteriosa. Em 2003 pesqisadores afirmaram terem descoberto a sua múmia, mas existem dúvidas sobre a veracidade desse fato, devido a contradição de diversos indícios.
Para saber mais, clique por favor no texto da Wikipedia, em português (o 1º) ou em alemão (o 2º):
http://pt.wikipedia.org/wiki/Nefertiti
http://de.wikipedia.org/wiki/Nofretete
Fotos: 1ª, 2ª e 4ª (internet), 3ª (welt.de).
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