
Em Berlim, como em toda Alemanha, começou a segunda etapa da vacinação em massa contra a gripe suína, uma campanha de prevenção que tem deixado a sociedade “com febre”. Desde que a campanha foi engatada na cidade, no final de outubro, as críticas se espalharam com mais força do que os espirros. Primeiro, porque foram confeccionados dois tipos de vacina: uma para a população, com algumas substâncias supostamente tóxicas em seu componente, e outra para os políticos, médicos, bombeiros, etc, sem essas químicas. Veio a primeira leva de insatisfação. O que é isso? Vacinas diferentes para a primeira e a segunda classe? De jeito nenhum! A população fincou pé e, desconfiada, deu meia volta no caminho para o consultório médico.
E o governo foi ainda criticado por ter deixado a desejar em propagandas de esclarecimento para reverter o estrago. Mesmo assim foi explicado, nos meios de comunicação de massa, que não havia vacina pior ou melhor, apenas os laboratórios é que foram diferentes – e como se tinha pressa na confecção do produto em grande quantidade e rapidamente, o governo optou pelo laboratório que prometeu cumprir o pedido num prazo mais curto (o dos “venenos”). Certamente contou na escolha uma tradição amplamente arraigada no país: a pechincha. A firma com as substâncias “venenosas” foi a que venceu a concorrência, oferecendo a confecção em grande escala da vacina de forma mais barata. Pois é, o governo cresceu os olhos só no preço e esqueceu de dar uma olhada na química que seria usada.

Depois foram os médicos a rodarem a baiana e ameaçarem boicotar a campanha se não recebessem uma porcetagem extra pela aplicação das vacinas. Mas onde é que estamos? Isso aqui é o primeiro mundo e de graça, no primeiro mundo, nem injeção no braço! O governo negou-se a pagar e o conflito escalou: a vacinação em massa começou a engasgar. Ficou assim, nesse chove-não-molha, até serem recrutados os médicos voluntários: em Berlim, 200 para uma população com mais de 3 milhões de pessoas! Enquanto isso, o vírus andava solto, infestando sem piedade quem via pela frente. Foi quando aconteceu a primeira morte em decorrência da gripe (e nenhuma por conta da vacina). Funcionou para deixar os berlinenses com os cabelos em pé. De repente, um monte de gente quis se vacinar. Os consultórios ficaram cheios de pretendentes a uma boa espetada.
Aí, para não fugir à tradição caótica da cidade (mas isso está acontecendo em toda Alemanha) – faltou a vacina! E o que se tem na ordem do dia: pacientes frustrados e médicos com as mãos na cabeça, sem saber o que fazer, pois precisam esperar semanas por uma nova remessa. Como isso só vai começar a se normalizar – talvez – a partir de dezembro, quem não for do grupo de risco será obrigado a acompanhar o desfecho de uma maratona inusitada: a corrida do caos contra o vírus. Até agora, em rapidez, o caos está ganhando disparado. E se continuar com essa velocidade, vai ter mais gente morrendo infartada pela raiva e pelo estresse que ele está trazendo, do que de gripe suína. E para o caos não há vacina.
Fotos: 1ª, ddp; 2ª, Kurier.

4 ♫ abriram o bico ♫:
Oi, Zilma!
E eu que pensei que caos na saúde fosse só no Brasil...
Beijos mil!!!
PS:Zilma posso pedir um favor? O que significa "Geheime Zeichen" - se é que é alemão? Eu Agradeço desde já a tradução - é o título de uma música que gosto muito.
Oi, Giane
Pois é, o caos está aqui também na ordem do dia, talvez apenas com menos frequência. "Geheime Zeichen" signifca "Sinal Secreto". Todas as vezes que precisar de alguma tradução, é só perguntar, viu? Beijos.
hehe tive que rir com a sua frase que para o chaos nao tem vacina. é mesmo. Aqui na Baviera é um dos lugares onde mais existem casos de gripe suina, mas eu nao vejo as pessoas correndo pros consultorios. Todo mundo fala sobre o assunto, mas ninguem vai la se vacinar. Acho que falta muita informacao, pro pessoal passar a confiar na tal vacina. bjs!
Oi, Mi
Essa gripe suína virou por aqui a gripe da confusão. Depois de um certo alvoroço após o 1º caso de morte, o interesse pela vacina foi colocado "no gelo", mas a desconfiança em relação a ela continua forte, e assim poucos estão indo ao consultório médico tomar a dose. Acho que o quadro é meio geral na Alemanha, viu. Bjs!
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