♫ ♪ “... Mas é carnaval ...” ♪ ♫
Esse final de semana Berlim está “fervendo” com o Carnaval das Culturas em Kreuzberg, o bairro mais cosmopolita da cidade. São quatro dias de festa, que vão de 29 de maio a 1º de junho, e o auge é o grande desfile, no domingo, com quase 5 mil integrantes de 70 nacionalidades distintas, distribuídos em mais de 90 blocos que concorrem a prêmios, mostrando as músicas, as danças e as fantasias das tradições regionais dos países que representam. São cerca de 9 horas de corso pelas ruas do bairro, atraindo uma multidão de 1,3 milhão de pessoas – aguarda-se 700 mil só para ver o desfile e 600 mil nos festejos de rua. O Carnaval oferece ainda shows e apresentações teatrais em quatro palcos, mais de 300 barracas com culinária diversificada, além de vários estandes informativos. Só não participa quem não quer (ou não pode).

O Carnaval, esse ano com a sua 14º edição, sempre acontece no feriado de Pentecostes, com o objetivo de promover uma maior integração social entre povos e nações na multicultural capital alemã, que é considerada a cidade com maior número de estrangeiros no país (cerca de 440 mil de 185 países diferentes). Embora Berlim não tenha uma tradição carnavalesca como Colônia e a festa de Momo aqui ser bastante fraquinha, no Carnaval da Cultura a cidade “acende”. Começou já às 11 da manhã, na sexta-feira, com apresentação de capoeira, estendendo-se pelo dia com vários shows nos quatro palcos até quase meia-noite, o horário que se encerra em todos os quatro dias. O destaque de sábado é o carnaval infantil, que conta, inclusive, com um bloco próprio, o Catapora, formado por foliões entre 7 e 14 anos, fora brincadeiras, danças, cantos, modelagens, circo de marionetes e outras atrações para o público mirim. Além disso, vários shows e até um grupo de frevo – só pra matar um pouquinho a saudade de Recife e Olinda.

No domingo, além do desfile principal, haverá ainda um festival de capoeira com a narração de sua história, bem como apresentações folclóricas de outros países, bandas de pop, rock, reggae e funk, entre outros. A segunda-feira, o último dia da festa, será coroada com muita música, de diversas nações, nos quatro palcos do Carnaval das Culturas, batizados como Farafina, Barrio Latino, Bazar Oriental e Eurasia. Só falta o tempo colaborar e mostrar uma melhor cara. O sol anda meio inibido nos últimos dias e a temperatura está em torno de 16 graus.
Mas o Brasil está presente com o fogo todo. Tido como um país da alegria e do carnaval par excellence, sempre é um destaque extra na festa. Participa com vários blocos, como o Sapucaiu no Samba ou o Afoxé Loni, o Capitães de Areia, o Terra Brasilis, etc., apresentando ainda shows paralelos e diversas performances. Dá-lhe Brasil!!!
Fotos de festas anteriores: 1ª, 4ª, 7ª, 10ª, 13ª, 16ª e 17ª dpa;
2ª, 3ª, 5ª, 6ª, 8ª, 9ª, 11ª, 12ª minhas
(não coloquei mais porque “decapitei” quase todo mundo. E quando deixava a cabeça, cortava os pés. O que seria desse blog sem as imagens das agências?...)
Um pouco sobre os bastidores

Por trás das purpurinas do Carnaval da Cultura esconde-se uma história de sucesso da Oficina das Culturas (Werkstatt der Kulturen), presidida atualmente por Phillipa Ebéné, ela também uma filha de imigrante da República dos Camarões. As agremiações das várias nacionalidades pagam 9 mil euros pelo carro, além do sistema de som e o honorário dos artistas, tudo organizado pela Oficina, que também é responsável por outros projetos transculturais de filmes, músicas e, brevemente, dança de todos os países do mundo.
E tudo vem acontecendo desde 1996, seguindo a idéia inicial de proporcionar, com o evento, que os mais de 400 mil estrangeiros que residem em Berlim mostrem um pouco de suas origens, apresentando aspectos da cultura de sua terra natal, estimulando e inspirando com isso a tolerância, a troca, a diversão cultural entre as diversas nacionalidades e desestimulando o racismo. O evento é um sucesso que se repete todos os anos, atraindo mais de um milhão de pessoas nos quatro dias coloridos da festa. O Carnaval da Cultura tornou-se uma marca da cidade, com a qual Berlim se promove com prazer.
Fotos: as últimas três “dpa”.