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segunda-feira, 29 de junho de 2009

A taça é nossa!!!!


Ontem, no jogo final do Brasil X EUA, na Copa das Confederações, eu quase tive um ataque. Meu coração dançou um sambão frenético – e ainda xote, coco, xaxado, baião ... mas valeu!!! 3 X 2, que virada!!! Assisti o jogo com meu filho, que vibra empolgadamente, é brasileiríssimo, cheio de temperamento, mas ainda assim consegue segurar os nervos – os dele e, até onde dá, os meus, que nessas horas viram milho de pipoca – e eu penso que meu coração, a cada chute dos jogadores, vai saltar pela boca e bater feito bola no vidro da televisão.


O estilo de Dunga no nosso time nos preparou taquicardias homéricas, mas conseguimos a taça!!!! E do jeito que o brasileiro é, já vai (nós também vamos!) começar a sonhar estrelas com a Copa do Mundo, no próximo ano. Minha mãe e minha tia ligaram felicíssimas. Nós estamos toda(o)s verde-e-amarelo, do lado de cá e de lá do Equador. O difícil mesmo foi conseguir que o meu filho fosse dormir, lá pelas tantas da noite. E sei que as camisas brasileiras não vão sair do corpo dele a semana inteira – e eu vou lavar depois umas belezinhas. Mas, quem diria, com um sorriso estampado de canto a canto na cara, pendurando as pontas em cada orelha!!! Eita, alegria danada!!! Dá-lhe BRASIIIIIIIL!!!! A nossa seleção e Dunga estão de parabéns. Que vitória bonita!!!!


Fotos: Reuters e internet
Imagem: Montagem de duas imagens da internet.

domingo, 28 de junho de 2009

Um arco-íris em Berlim


Este sábado em Berlim teve as cores do arco-íris. Foi o dia da parada das lésbicas, gays e transexuais pelas ruas da cidade, o Christopher Street Day (CSD), que esse ano, na sua 31ª edição, empunha um novo nome: agora se chama “Pride Parade”. Contando com 55 carros, cerca de dez mil participantes e mais de meio milhão de espectadores espalhados por todo o trajeto, a parada partiu da Kaiser-Wilhelm-Gedächtnis-Kirche (a Igreja da Memória), na Kudamm, a famosa avenida em Berlim-Oeste (ex-lado Ocidental), ziguezagueou pela cidade com o seu colorido, passou pelo Portão de Brandemburgo e desembocou no Anjo da Vitória, o ponto final do percurso.


Com o tema “Stück für Stück ins Homoglück – Alle Rechte für all!” (tradução meio tosca:“Pedaço por pedaço na felicidade homo – Todo direito para todos!”) os integrantes engajados exigem uma mudança no artigo 3º da Constituição, que até o momento diz que ninguém deve ser prejudicado por conta do seu sexo, descendência, raça, idioma, procedência, crença e opiniões. O movimento dos gays e lésbicas querem ampliá-lo com o ítem “identidade sexual” – para que também essa discriminação passe a ser punível. Outras reinvidicações são: mudança nas leis do estado civil e do prenome, direito de matrimônio para todos e uma ampliação no programa berlinense de saúde sexual. E por fim, a comunidade exige o que ainda falta, mas deveria ser óbvio: respeito. “Nós não precisamos ser queridos, mas queremos ser respeitados”, declaravam.


A cerimônia no monumento dos homosexuias perseguidos durante o Nazismo foi obrigada a terminar antes do tempo por conta de um acidente. O antigo prisioneiro do campo de concentração Buchenwald, Rudolf Brazda, de 96 anos, escorregou e caiu do pedestal onde estava discursando, ferindo a cabeça. Até que a ambulância chegasse, ele recebeu assistência do prefeito de Berlim, Klaus Wowereit (que também discursou) e da polícia. Brazda ficou encarcerado entre 1941 e 1945, quando a II Gerra Mundial acabou, por conta da sua homossexualidade.


Eis um trecho de Wowereit, que é assumidamente homossexual:

“Caso vocês ainda não tenham percebido, a nossa sociedade tem diariamente o’Dia da Rua de Gustav’ para os heteros, pois nós vivemos num modelo social heteronormativo (vocês gostam de ler - procurem por Heteronormatividade na Wikipedia), onde grupos definidos como minorias encontram muita dificuldade.

Por outro lado (...), gostaria ainda de dizer para vocês que o sistema heteronormativo não é “a verdade”, mas simplesmente o modelo que prevaleceu há algum tempo na cristianizada sociedade européia. E por isso é também importante que gays e lésbicas chamem atenção para o fato de que eles estão aí e que para muita gente o sistema não faz justiça.”

Falou e disse. E se eu não me engano, esse discurso de fácil interpretação pode ser compreendido até na Cochinchina.

Fotos:
1ª e 2ª DDP - início do desfile na Gedächtnis Kirche, na Kudamm.
3ª Reuters - o prefeito de Berlim, Klaus Wowereit (SPD), no meio, com Renata Künast (do partido Verde) do lado esquerdo.
4ª - Klaus Wowereit abraçando carinhosamente o seu companheiro de longa data, o neurocirurgião Jörn Kubicki ( 2006).

Despedida do original


Os fãs de Michael Jackson em Berlim tiveram um pequeno consolo de despedida: o modelo do ídolo exposto no Museu de Cera de Madame Tussauds, em Mitte. Este final de semana a figura do Rei do Pop deslocou inclusive o modelo do prefeito da cidade, Klaus Wowereit, do seu local cativo e ficou exposta logo no vão da entrada. Até um livro de condolências foi posto ao lado para que os interessados perpetuassem os seus recados de adeus sob os flashes da imprensa. E assim, novos e velhos se posicionaram ao lado do Michael Jackson de cera, para tirarem fotos ao lado do músico. A partir desta semana a figura retorna ao seu local habitual, dentro do museu, e a do prefeito de Berlim pode voltar a saudar os visitantes.



Berlim foi o palco das imagens (tristes) que correram o mundo, em novembro de 2002, de Michael Jackson balançando o filho, na época ainda um bebê de 9 meses, do lado de fora da janela da sua suíte, localizada no 4º andar do nobre hotel Adlon, em Mitte, para mostrá-lo extasiado aos fãs. Mas estes ficaram apenas, e com razão, chocados.

Agora mais uma vez os fãs estão abalados. Só que a morte inesperada desse artista talentoso não chocou só a eles, mas a todos.



Fotos - (para ver as fotos aumentadas, é só clicar nelas):

1ª - filtro do Adobe Photoshop sobre uma imagem da internet.
2ª e 3ª Schulz - no Museu de Cera de Madame Tussauds, Berlim.
4ª DPA - na noite de sexta-feira, quando alguns fãs se reuniram na Alexanderplatz (Berlim) para uma cerimônia de despedida.
5ª Reuters - modelo de cera em Madame Tossauds, Berlim.
6ª a famosa foto da janela do hotel Adlon.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

O futuro sobre rodas


Berlim deu a primeira acelerada para o futuro: desde segunda-feira 50 mini carros com motor acionado por impulso elétrico rodam pelas ruas da cidade. Os carrinhos, construídos pela BMW e abastecidos pela energia elétrica da Vattenfall Europa, fazem parte do maior projeto alemão de automóveis movidos a eletricidade. E com a liberação de 50 deles para uns poucos felizardos, os construtores querem ver como a mecânica desses veículos se comporta no dia-a-dia e até quando chegam as reservas da bateria (acumulador), planejadas para funcionar em média até 170 quilômetros. O empréstimo é por um tempo restrito e um pouco salgado (principalmente para quem não vai se desfazer e tem que pagar ainda o seguro do próprio carro): os usuários precisam desembolsar 400 euros mensais pelo direito de testar o automóvel por 6 meses, depois disso, são obrigados a devolvê-lo. Mas têm a compensação de não precisarem mais comprar combustível nesse período.



Os carros não são apenas ecológicos, mas um doce de lindos. E além de não emitirem gases venenosos para a atmosfera (CO2), são também um bálsamo para os ouvidos, pois praticamente não emitem barulho. Todos foram pintados no mesmo tom de cinza metálico (prata), com uma grande tomada amarela no teto como símbolo. Eles podem ser recarregados em 50 estações especiais espalhadas pela cidade e atingir uma velocidade de até 160 km/hora. O interior é quase idêntico a de um automóvel normal, mas a infra-estrutura é garantida por colunas azuis, onde um cartão de identificação dá acesso às duas tomadas de abastecimento, que começam imediatamente a alimentar a bateria logo que o cabo seja colocado no carro - e a tampa é automaticamente fechada assim que o cabo é retirado.



Parece prático. Só que para recarregar completamente a bateria o usuário precisa de tempo extra e paciência. Muita paciência! Cerca de 4 HORAS dura o procedimento numa tomada da Vattenfall e até 12 HORAS numa tomada normal! Nada é perfeito nesse mundo. E as novas técnicas, quando ainda engatinham, já de jeito nenhum. É o preço do futuro.

Fotos: As cinco primeiras: todas de Jörg Zeipelt para o jornal Der Tagesspiegel. A última, ddp.

domingo, 21 de junho de 2009

O abismo gramatical


Sabem como é que eu escrevo as minhas postagens? Enquanto guardo as compras e espero que o arroz apronte. Não raro, com quatro gatos saltitando nos meus pés ou o meu filho perguntando onde estão as meias, qual o quitute do dia, mamãe-cadê-meu-sorvete, cadê-a-camiseta-tal, cadê... Isso, tomando cuidado para um certo Sr. Merlin, danado, não dar cabo dos fios maravilhosos do computador – coisa que ele faz tão bem e gosta ... (Saibam mais em "Os nossos gatos").


Como se essas “facilidades” fossem poucas, vem o empecilho maior: trilhar, sem tanto vexame, os descomunais penhascos da nossa gramática, repletos de abismos colossais. E, se deixarmos de lado as colocações incorretas das pontuações e as transgressões nas regências, às vezes até consigo, mesmo tropeçando um pouco. Outras, para não cair de cara, tenho que sair ladeira acima da ortografia, com o dicionário em punho, corrigindo os sufocos. Mas o ruim, mesmo, é quando a “besteira” passa despercebida, por descuido ou ignorância, e fica aqui no blog, pra quem quiser ler, como se fosse a coisa mais natural do mundo – até que um belo dia descubro (se descubro!) e quase me engasgo com o deslize, mas aí já é tarde demais. Ele reina absoluto entre outros posts já publicados e está há um bom tempo circulando solto no planeta online.


Agora não há mais nada a fazer do que defender a teoria do “antes tarde do que nunca” e remendar a bobagem – não sem antes imaginar uma plaquinha com uma nota quase policial: aqui jaz o bom senso da gramática de língua portuguesa. Morreu pelo atrevimento de querer confundir os neurônios já inseguros de uma expatriada. Foi assassinado por uma dona-de-casa, cujo ápice literário é o de preparar a lista das compras e ler os textos dos produtos de limpeza e das bulas de remédio.


Assim, pessoal, quando vocês virem aqui e ali, um “s” que escandalosamente mostra a perna e se transforma num “z” ou outro que timidamente se esconde do plural; letras acometidas de um súbito ataque de megalomania que, sem motivo aparente, transformam-se em maiúsculas; ou que de repente, acossadas por um surto de inibição, encolhem no lugar errado – e variações parecidas – fechem por favor os olhos e passem adiante. Talvez eu tenha tido sorte e o arroz tenha saído incólume da história: no ponto e não todo tostado. A esperança, nesse caso, é a última que morre.

Imagens: Fiz uma montagem nas gifs para haver uma maior adaptação ao texto. O original de todos os cliparts usados nesta postagem vocês encontram no Clipart Guide .

Se os links não funcionarem: O 1º, o post "Os nossos gatos", vocês encontram nos arquivos de maio. O 2º, o endereço é http://www.clipartguide.com/

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Protesto de alunos e professores


A greve está na ordem do dia. Durante toda esta semana, estudantes universitários e do ensino fundamental/médio estão se organizando, na Alemanha inteira, para protestar em várias frontes contra a miséria na qual o ensino vem escorregando cada vez mais: métodos pouco efetivos ou ultrapassados, a crônica falta de dinheiro para se investir em educação, o estúpido aprendizado de cor, salas de aula com muitos alunos, falta de professores... A lista das insatisfações é grande. No país todo está havendo discussões, leituras em público e passeatas. E o ponto alto será uma demonstração, nessa quarta-feira 17, em toda a Alemanha. Berlim está participando intensamente do protesto e também nesta quarta os estudantes vão se reunir em apoio ao levante em frente à Rote Rathaus, a prefeitura principal, em Mitte.


O interesse pelo protesto é grande. A crise econômica mobiliza ainda mais. A verba que o governo destinou recentemente para as ciências é vista por muitos como insuficiente e com importância desfocada. Os estudantes reclamam que o dinheiro incentiva apenas a um grupo elitista e a construção de universidades, mas o melhoramento no ensino não é atingido e as escolas também não recebem nenhum benefício direto daí. Por isso eles querem que o governo invista mais no setor e exigem um pacote de ajuda para as escolas e universidades no valor de mais de 100 billhões de euros, destinados a um fundo especial para o aprendizado livre e melhor (Sonderfonds für bessere und freie Bildung - SofbfB).


Por sua vez, os professores estão querendo aproveitar o embalo das demonstrações estudantis e através do Sindicado de Educação e Ciência protestar por um pagamento mais justo para eles. Nessa quarta-feira os pedagogos também vão engrossar as fileiras dos insatisfeitos, planejando para a partir de 11 horas uma greve de aviso.

Vamos aguardar o resultado efetivo de todas essas demonstrações e as respostas apresentadas pelo governo.

Imagens: 1ª e 2ª - internet. 3ª - AP.

terça-feira, 16 de junho de 2009

Greve dos taxistas


Os taxistas berlinenses realizaram um protesto nesta segunda-feira pela manhã contra a implantação do pagamento de uma taxa extra, no aeroporto de Tegel, de 50 centavos por corrida. Além disso, eles queriam chamar a atenção também para a precária situação que dizem enfrentar: até 70 horas de trabalho semanal, baixos salários e uma acirrada concorrência no ofício. Eles temem que esse quadro piore ainda mais com as novas medidas, pois fora o aumento na taxa, os taxistas vão ser obrigados a falar inglês e a aceitar o pagamento da corrida com cartão de crédito.


Por conta do protesto, de 9 às 10.30 da manhã os taxistas não transportaram nenhum passageiro e cerca de mil táxis se reuniram em frente ao Portão de Brandemburgo. Enquanto isso, filas e filas se formavam nas paradas de ônibus. Fora o engarrafamento que tomou conta não só das paradas, mas principalmente da saída do aeroporto e das ruas entre o Portão de Brandemburgo e o Anjo da Vitória.


Fora os 50 centavos, está previsto ainda um aumento no taxímetro de 3 euros para 3,20. Uma corrida de curta distância passa de 3,50 para 4 euros. Até 7 quilômetros, o passageiro vai pagar no futuro 1,65 por quilômetro rodado (no momento paga 1,58). Corridas mais longas vão custar 1,28 euro por quilômetro, ou seja, oito centavos a mais. Seis controladores vão a partir de agora verificar o cumprimento das novas medidas na saída do aeroporto de Tegel, a fim de evitar trapaça nas contas e o trabalho ilegal.

Agora me digam: isso não lembra um pouquinho o Brasil?

Fotos: as duas primeiras: AP. A última, Bild.de.

A 1ª - taxistas em frente ao Portão de Brandemburgo. A 2ª - fila no aeroporto de Tegel . A 3ª - taxistas em frente ao Anjo da Vitória (que fica um pouquinho antes do Portão de Brandemburgo) .

segunda-feira, 15 de junho de 2009

A Longa Noite das Ciências



Neste sábado 13, dia de Santo Antonio no Brasil, Berlim comemorou a Longa Noite das Ciências. O evento, agora na sua 9ª edição, é um superlativo anual da sabedoria. Este ano tomaram parte 67 universidades, faculdades, institutos e centros de pesquisa de Berlim e Brandenburgo, oferecendo um leque com mais de 2 mil apresentações individuais nas mais variadas disciplinas: ciência, história, medicina, técnica, como também idiomas e esporte. E como sempre pertecem ao programa a visita a laboratórios e institutos, conferências, apresentações e experimentos e, ainda, brincadeiras, música e teatro. Para participar, compra-se uma entrada que custa 12 euros para adulto, 8 para estudante e 24 para família (adquirindo os tickets com antecedência há um abatimento e as entradas custam, respectivamente, apenas 10, 6 e 20 euros). Despois, é só preparar as pernas, o ânimo e a curiosidade para tomar parte numa maratona de conhecimentos que vai das cinco da tarde à uma da manhã.



O evento informou os interessados sobre fótons e elétrons, novas tecnologias, mundos virtuais, modo de funcionamento de várias técnicas de construção, além de idiomas estrangeiros e culturas. E a animação ficou a cargo de música pop alemã e Trashblues. Mas o ponto alto foi o concerto da Orquestra Sinfônica de Berlim. Sob a batuta do maestro Daniel Barenboim, os músicos – que estavam tocando na Philarmonie (Filarmônica) – foram ouvidos na Universidade Técnica graças à transmissão proporcionada por 2700 auto-falantes.



Para os perguiçosos de carteirinha, que acham que as atividades oferecidas deslizam para um espectro largo demais, os organizadores pensaram num atalho: as rotas especiais. Com elas, é possível atar diversos interesses a determinados temas. Sob o título, por exemplo, de “astronomia”, os participantes puderam lançar um olhar para as estrelas e se informar sobre o Ano Internacional da Astronomia - 2009. Para aqueles que seguem os rastros da evolução, existiu o “a rota de Darwin”, com paradas extras em museus, centros de história natural e também no Jardim Botânico. Outros temas foram “Energia e Clima” e ainda “Saúde”.



A maioria das estações foram percorridas por ônibus especiais, que traziam a inscrição “Lange Nacht der Wissenschaften” (Longa Noite das Ciências) e o número das rotas. A passagem já estava incluída no bilhete de entrada. Quer dizer: não se pagava extra. Com a noite estrelada e não muito fria (17 graus), coroando um dia que foi lindo e ensolarado, o evento recebeu quase 240 mil visitantes, 20 por cento mais do que em 2008 - e no último ano já foi registrado um recorde de participantes - sublinhando a região de Berlim-Brandenburgo como um importante centro de ciências.

Imagens: Para variar, todas da internet de acontecimetos anteriores (não acredito que vocês estivessem esperando outra coisa). O texto da 1ª diz: "A noite mais inteligente do ano" (não é?) e foi a que divulgou oficialmente o evento de 2009.

sábado, 13 de junho de 2009

Look alemão de moradia

Nessa minha vida na Alemanha já morei em apartamentos com vários tipos de parede. Paredes grossas e severas como muralhas; paredes finas como papel, por onde se ouvia sem grande esforço os suspiros e espirros do vizinho; paredes de concreto armado (a atual) onde para se colocar o mínimo prego é necessário o trabalho duro de uma potente furadeira.


Certa vez morei num apartamento onde as paredes eram de farinha. Incautos, meu marido e eu (na época morávamos ainda juntos) instalamos um armador de rede e, felizes, fomos estrear o nosso “luxo exótico” assistindo televisão. A alegria durou pouco, pois mal nos sentamos para ver um filme e os armadores gemeram duas, três vezes, antes de serem cuspidos vergonhosamente pela parede. O resultado foi que fomos jogados sem piedade no chão e ainda restou aquela cratera imensa, dupla, com o papel e o reboco arrebentados.


Outro tema rico em relatos sobre o look alemão de moradia diz respeito ao elevador, aqui uma peça rara. Já morei no 4º andar, com escada íngreme, sem ter um. Toda vez que chegava em casa carregada de compras e olhava para aquela rampa de degraus, sentia-me a própria Sísifo, empurrando andares acima meu “bloco de granito” - e todo dia era a mesma coisa ... Mas já me dei ao luxo de morar no térreo – com o elevador na porta! O cúmulo do esbanjamento!


E agora moro num prédio que há muito pede nova maquiagem, pois está com a fachada meio lambida. Mas o apartamento é bom - e tem elevador! Se bem que isso seja mais um eufemismo para designar aquela lata de sardinha velha, pequena, apertada. Uma verdadeira peça de museu, que arranca risos das minhas visitas brasileiras, acostumadas a outros modernismos. Mas tá lá, funciona! E eu dou graças a Deus chegar com as compras pesadas e ter aquele baú móvel, com a portinha sanfonada, esperando para transportar as minhas tramelas. O último grito da tecnologia de mil novecentos e antigamente. Só que eu preciso rezar todas as vezes para que a geringonça não desista do serviço pela metade e não me deixe presa entre as paredes.

Isso é Europa, viu, gente!!!

Imagens: internet . A última é uma montagem de três clip-arts.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Diretor do zoo perde o dedo


Terminou acontecendo: o diretor do zoo de Berlim, Bernhard Blaszkiewitz, teve o dedo indicador da mão direita amputado. Depois de ter sido submetido a quase oito horas de cirurgia para reposição do dedo – que ficara pendurado por um único nervo após a poderosa dentada do chimpanzé Pedro – a área infeccionou, como os médicos já temiam, por conta dos germes contidos na saliva do animal, para os quais o corpo humano não tem imunidade. E antes que a infecção se agravasse, tomando a mão ou até o braço todo, os especialistas resolveram “cortar o mal pela raíz”.


Segundo esclarecimento do zoo, o chimpanzé Pedro não sofrerá represália, já que o acidente se deu devido à desatenção do chefe do parque. Mas a organização protetora dos animais, Peta, pensa que o caso exige consequências, sim, e está querendo a demissão do diretor. Quer dizer, se depender dos ativistas o diretor não perde só o dedo, eles querem também a sua cabeça. Para a Peta, Blaszkiewitz comportou-se de modo irresponsável, colocando a si e a outros em perigo e é, por isso, um mau exemplo. A associação de incentivo ao zoológico e parques animais rejeitou essa sugestão, taxando-a de “ranhosa e inconveniente”.

Essa dentada promete muito pano pras mangas. E só podemos ficar aliviados com o fato do diretor não ter alimentado seus animais prediletos, os rinocerontes. Imaginem!!!

Fotos: Bild.de. 1ª o diretor Bernhard Blaszkiewitz; 2ª o médico explicando onde o dedo seria amputado.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Chimpanzé ataca o diretor do zoo


“Escreveu não leu, o dente comeu”, parece ser a linha de conduta dos animais do zoológico de Berlim. Nesta segunda-feira foi a vez do diretor do parque, Bernhard Blaszkiewitz, de sentir na própria pele a veracidade dessa afirmativa. Num giro pelo zoo com uma comitiva, ele teve a idéia de dar comida ao chimpanzé “Pedro”, que não ficou satisfeito com o serviço e, para mostrar isso, deu-lhe uma bela dentada no dedo indicador direito, a ponto de deixar o diretor quase sem ele. O dedo ficou pendurado, como comentou uma testemunha, “só por uma pelezinha”.



O diretor foi levado imediatamente para o hospital no bairro de Marzahn, especializado em vítimas de incêndio, transplantações difíceis e separação de membros. Lá, ele foi submetido, segundo o médico-chefe e cirurgião, Andreas Eisenschenk, a uma longa e complicada cirurgia para reposição do dedo. De acordo com uma porta-voz do zoológico, ele deve ter se comportado descuidadosamente, deixando de lado todas as medidas de segurança, pois o perigo potencial dos chimpanzés é bastante conhecido. É, se o diretor não sabia, depois dessa ele não vai mais esquecer a lição: as regrinhas que orientam a conduta dos visitantes servem também para o chefe do zoo.

Leia mais (em alemão) no B.Z.

Fotos: B.Z. (Berliner Zeitung) - 1ª Bernhard Blaszkiewitz e "Pedro"; 2ª o chimpanzé Pedro; 3ª o médico Andreas Eisenschenk.