quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Knut in love ♥


Knut, o urso polar mais famoso de todos os tempos, ganhou uma companheira provisória. A ursa, que já morava com a avó do superastro em Munique, veio para Berlim enquanto o seu cercado original está sendo reformado ─ e pretende ser deixada aqui por noves meses, enquanto esse trabalho não termina. Depois, é sacudir os pelos e voltar para casa do jeito que chegou: anestesiada e sendo escoltada por um veterinário e um funcionário do zoo da capital da Baviera.


O que poderia ser visto como um "love story" entre ursos, está sendo duramente criticado pela Peta ─ a organização ­­de defesa dos animais. Primeiro, porque Knut ainda não atingiu a maturidade sexual (entre os ursos isso acontece com 5 ou 6 anos e ele mal completou três). Isso significa que os dois não vão se sentir atraídos e têm que ser mantidos, pelo menos no início, separados. Aqui começa o segundo e pior problema: não há espaço para isso no cercado de Knut. Dois ursos adultos soltos lá dentro, que mal se conhecem, significa briga (e das feias!) na hora. Então, para evitar agressões brabas, a coitada da visitante vai ser mantida, a maior parte do tempo, num grande box de 35 m². Quer dizer: numa jaula.


E é aqui que entra a reclamação da Peta. Isso é modo de se tratar um animal? E ainda por cima, a provável namorada de Knut? Claro que não, seria a resposta óbvia. Mas fato é que a organização infelizmente não teve força suficiente para impedir a vinda da ursa para Berlim. Agora, só resta torcer que Knut e a nova visitante tornem-se amigos rapidamente para que o período carcerário da moça seja curto e ela possa dizer aliviada no fim da estadia: "Ich bin eine berlinerin!" (sou uma berlinense!) e não a frase de agouro: "Nie mehr Berlin!" (Berlim nunca mais!)

Aguardem o próximo capítulo dessa novela.

Fotos: 1ª (ddp, dpa) a nova ursa e Knut; 2ª (Lothar Müller) Knut; 3ª (dpa) Gianna, a nova ursa.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

O duelo que virou dueto


Ontem a noite foi coroada com um debate político muito esperado, transmitido pela televisão. O encontro de dois ouriços gigantes: Angela Merkel (CDU), a atual chanceler alemã, e o seu vice, Frank-Walter Steinmeier (SPD). Mas dessa vez, não como dois líderes na chefia do país, e sim como concorrentes ao mesmo cargo, que ficará vago no próximo 27 de setembro, quando haverá as eleições federais. Quer dizer, ou Angela se mantém como a chanceler alemã, ou terá que passar o posto para Steinmeier.


E por isso esse debate estava prometendo ser uma sensação, pois muitos já apostavam num verdadeiro fuzilamento verbal com transmissão ao vivo, enfim, um duelo de gigantes. Melhor do que isso, só novela mexicana. Quem ligou a tv pensando em ver algum dos dois decapitado, enganou-se. O duelo virou um dueto. Foi um debate sóbrio, mais pragmático do que emocional. Mesmo assim, destituído de paixão, alguns concordam que Steinmeier saiu-se melhor e que Merkel, mesmo tentando manter-se soberana, aparentou recuo em alguns temas, como a delicada questão do desemprego.


A crítica maior dessa vez não caiu nos ombros dos políticos, mas no formato do debate: 4 jornalistas para 2 entrevistados, uma sucessão de perguntas que se acumulou mais do que esclareceu, uma sopa de palavras com muito condimento, mas que não esquentava. E foi esse mingau consistente, embora frio, que os telespectadores foram obrigados a engolir, pelo menos os 14,21 milhões que estoicamente ficaram ligados na telinha. Logo após o debate foi mostrada uma parcial sobre a pergunta “Quem é o melhor?” Steinmeier recebeu 31% dos votos, Merkel 28% e 40% optou pelo empate. Agora é esperar qual o ponto desse caldo no próximo 27 de setembro.

fotos: 1ª (dpa) assistindo pelo computador; 2ª (B.Z.) Angela Merkel e Frank-Walter Steinmeier no debate da tv; 3ª (B.Z.), os 4 jornalistas que mediaram o debate, da esquerda para a direita: Frank Plasberg (ARD) Peter Limbourg (SAT.1), Maybrit Illner (ZDF) und Peter Kloeppel (RTL).

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

O prêmio da revolução


O brilho de Berlim no zênite da admiração internacional deu uma intensificada. A cidade acaba de ser agraciada com o prêmio espanhol “Príncipe de Astúrias”, por ocasião dos 20 anos da queda do Muro. E foi justamente a revolução pacífica, que culminou no dia 9 de novembro de 1989 com a queda do Muro e a posterior unificação alemã, o motivo do prêmio. Segundo o júri, com isso são reverenciadas todas as pessoas que perderam a vida ou a liberdade nas fronteiras que separavam a Alemanha Oriental da Ocidental, bem como a população de um modo geral, que depois do fim da divisão conseguiu formar uma sociedade aberta, amistosa e creativa. O prêmio, que será entregue em outubro, vem dotado com um cheque no valor de 50 mil euros.

Os espanhóis admiram Berlim ─ para a maioria, uma cidade fascinante, mágica, moderna. Berlim é quase do tamanho de Madri, as duas cidades são capitais dos seus respectivos países ─ e aqui acaba a semelhança. Enquanto em Madri as coisas funcionam e ela é o motor econômico da Espanha, sem perder um certo charme provinciano, Berlim sofre com suas indigestões, a última é o grave entupimento das ruas provocado pelo caos nos metrôs de superfície. A cidade é caótica e destrambelhada, sem dúvida, mas conseguiu dar o salto para o superlativo e se posicionar como uma grande metrópole mundial, admirada e venerada internacionalmente. E Berlim é isso: uma cidade bela, moderna, cosmopolita, mágica, apesar dos inúmeros defeitos. O prêmio veio coroar o óbvio.

Fotos: 1ª (dpa), 9 de novembro de 1989, comemoração popular da queda do Muro. 2ª (internet), uma imagem de Berlim.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Final de linha


Cheio, lotado, superlotado ─ em suma, um caos. São as categorias para definir a situação do metrô de superfície em Berlim. Um incômodo já conhecido dos moradores desde que uma vistoria detectou há dois meses rachaduras nas rodas. Mal esse problema havia sido resolvido, o próximo já foi carimbado. Dessa vez a deficiência está nos freios. Resultado: ¼ dos trens está sem circular.


Quando um metrô chega, com bastante atraso (outra novidade por aqui), os vagões são disputados quase no tapa. Quem conseguiu, a custa de grande esforço, um lugar para o pé, nem pense em se mexer! E aquela tirada de que, com jeitinho, sempre cabe mais um, é papo-furado no empurra-empurra dessa lata de sardinha abafada, onde a maioria já está com o desodorante vencido há muito. A saída é fechar o nariz, segurar o pé com afinco e aguentar a tortura da viagem.

Ou então fazer como muitos: ir de carro para o trabalho e torrar nos engarrafamentos. A cidade está cheia, pois para completar está acontecendo a IFA ─ a feira internacional de tecnologia, o que deixa o trânsito bastante piorado e o formigueiro humano de moradores e turistas tentando se locomover como consegue daqui para lá. Andar em Berlim por esses dias é uma dura prova para os nervos. É bom, antes de enfrentar o caos, munir-se com uma porção extra de paciência e não esquecer da bola de cristal, só para não ficar bobando atrás de informação. Quando se tem muita sorte e se encontra uma, são uns garatujos em alemão. O pobre turista que não fez um curso rápido do idioma antes de visitar a cidade, sobra uma segunda vez. Isso é que é eficiência! Made in Germany!

Fotos: O caos em imagem. 1ª, dpa; 2ª Reuters; 3ª, ap.

domingo, 6 de setembro de 2009

A Longa Noite das Sinagogas


Sábado foi a Longa Noite das Sinagogas em Berlim, permitindo ao público o livre – e raro – acesso à religião judaica. Cinco sinagogas abriram suas portas, entre elas a da Rykestraße (rua Ryke), em Prenzlauer Berg, a maior de todas na Alemanha, oferecendo aos visitantes a participação no Shabat (cerimônia religiosa semanal que acontece aos sábados) e na Havdalá (cerimônia religiosa que assinala o fim do Shabat), além de esclarecimentos e conversas com membros da comunidade sobre aspectos da religião, como por exemplo, a diferença entre o judaísmo liberal e o conservador ou ortodoxo. A entrada foi grátis.


“Tudo sobre o Judaísmo” foi o tema da exposição que o rabino Gesa Ederberg fez na sinagoga da rua Oranienburger, em Mitte. Na sinagoga da Hüttenweg, em Zehlendorf, foi a vez dos contos de fadas judaicos, enquanto que na Rykestraße havia o concerto com a Orquestra de Câmara Mendelssohn de Leipzig. Já na Fasanenstraße, em Charlottenburg, o público foi saudado com uma grande festa de rua, coroada com sabores e cheiros exóticos e muita música.


A visita às sinagogas fez parte do calendário de um evento intitulado de Dias da Cultura Judaica, que ocorre anualmente desde 1987 e é um poutpourri cultural que dura uma semana (dessa vez de 29 de agosto a 06 de setembro), onde os participantes podem conhecer um pouco da arte e da identidade judaica através de aspectos da literatura, arquitetura, concertos de música pop ou clássica e, claro, da gastronomia.

Imagens: todas da internet. 2ª, a sinagoga da Rykestrasse, em Prenzlauer Berg, por dentro; 3ª, a sinagoga da Oranienburgerstraße, em Mitte (Centro).

Mais informação aqui