terça-feira, 27 de outubro de 2009

Reabertura do Novo Museu



A Ilha dos Museus, que desde 1999 foi classificada pela Unesco como Patrimônio Histórico da Humanidade, está completa. Com a reabertura do Novo Museu (Neues Museum), na última semana, depois de 70 anos de porta fechada, todos os cinco museus estão disponíveis outra vez à visitação pública. A restauração, sob a batuta do arquiteto britânico David Chipperfield, custou cerca de 200 mil euros e é a terceira do Complexo: 2001 ficou pronta a Antiga Galeria Nacional, 2006 foi a vez do Museu Bode e até 2015 está previsto o término dos trabalhos no Pérgamo e no Museu Antigo, que não precisaram, contudo, ficar fora de circulação.



Com a reabertura do Novo Museu termina também mais de 20 anos de planejamento e história de saneamento (só 11 anos duraram as obras de restauração). Lá, foram novamente reunidas e colocadas por tema, peças que desde a Segunda Guerra Mundial estiveram espalhadas pelo lado leste (Oriental) e oeste (Ocidental) da cidade: o Museu Egípcio, onde se pode admirar, entre outras maravilhas, o sensacional busto de Nerfertite, a Coleção de Papiros, o Museu de Pré e Proto-História e ainda a Coleção de Peças Antigas (Antikensammlug). Ao todo, são quase 9 mil obras de arte, bem distribuídas em cerca de 800 metros quadrados por quatro andares, aí incluído o subsolo. Uma verdadeira apoteose para os sentidos.



Um passeio no Tempo que já começa com o próprio edifício: uma monumental construção do século 19, do arquiteto Friedrich August Stüler, quase pulverizada na Segunda Guerra, o que inspirou Chipperfield a decidir-se por um sábio método de restauração, o que lhe rendeu, contudo, algumas pesadas críticas: ao invés de renovar tudo e “limpar” as marcas dos últimos acontecimentos históricos (e entendam por isso também os furos deixados pelas metralhadoras nas paredes, por ocasião da Segunda Guerra), ele preferiu “integrar” os defeitos à visitação, deixando que as paredes, com seus buracos e rebocos aparentes, também contassem a sua história através das suas "cicatrizes", como um bem bolado mosaico de ruínas. E assim o ambiente como um todo parece dialogar entre si e com os visitantes, num sussurro delicado e instigante entre arte e fatos históricos. O visitante só precisa aceitar o convite de aguçar os sentidos para entender.

Visitação: segunda, quarta e domingo: de 10 às 18 horas; quinta, sexta e sábado: de 10 às 20 horas.
Preço: 10 euros (normal), 5 euros (estudante).

Fotos: 1ª, Novo Museu (internet); 2ª, o prédio do outro lado (Welt Online); 3ª, a Ilha dos Museus (Lehnartz); 4ª, as escadarias; 5ª a Sala Moderna; 6ª hall da escadaria; 7ª vista do ambiente através de Nefertite; 8ª a sala onde se encontra Nefertite e 9ª uma vitrine de sarcófagos ( da 4ª a 9ª, Bild.de)

Site oficial do Novo Museu:

domingo, 25 de outubro de 2009

Robbie Williams em Berlim


Para os fãs de Robbie Williams na cidade foi um “prato cheio” (ou um “palco cheio”). No finalzinho da tarde da última sexta-feira o músico britânico deu um mini-show relâmpago em frente à casa de espetáculo Max-Schmeling, em Prenzlauer Berg, totalmente grátis. Isso mesmo, grátis! Foi uma apresentação “Pop-Up-Gig”, quer dizer, de surpresa, que fez parte de campanha de promoção do seu novo álbum „Reality killed the video star“, onde foram apresentadas apenas cinco canções e três bis: ao lado das atuais, como “Bodies”, ele cantou hits como “Feel” ou “Angel”.


Cerca de 10 mil fãs aguentaram pacientes a chuvinha outonal fria, miúda e chata, e os 7 graus oferecidos pela temperatura, que não deu “canja” o dia inteiro. Alguns já estavam a postos há várias horas para assegurar um melhor lugar e ver de perto os 35 minutos do tão esperado show. Afinal, o último concerto do músico em Berlim foi há três anos. Quem perdeu essa, um consolo: no dia 5 de novembro Robbie Williams estará novamente por aqui, como convidado do MTV-Awards na casa de espetáculos O2-World.

Fotos: 1ª (ddp), 2ª (dpa).

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Berlim, Berlim...


O lado de luz e sombra dessa cidade forma um jogo de imagens de reflexo às vezes meio indefinido. Em alguns momentos, o brilho de algum aspecto ganha contornos ou até intensifica-se. Mas agora foi o lado opaco que ganhou uma “areada” e está reluzindo feito caçarola velha, recém polida. Num estudo comparativo das 50 maiores cidades alemãs, promovido pelo Neue Soziale Marktwirtschaft (Nova Economia de Mercado Social) e pelo Wirtschaftswoche (Economia da Semana) Berlim deu uma melhorada. Saiu láááááááááá do rabo da gata, do último lugar (isso mesmo, ú-l-t-i-m-o!), para o posto 44. Segundo o estudo, a capital alemã apresenta um desenvolvimento progressivo e em relação ao dinamismo das cidades no desenvolvimento econômico de 2003 a 2008, Berlim conseguiu até um resultado mais satisfatório: pulou do 43º para o 17º lugar. Isso, por obra e graça da sua estrutura econômica, com muita prestação de serviço e grande gerência administrativa, o que deixa a sua economia menos propícia a crises do que as regiões industrializadas.

Arrá, se isso não for um consolo...



E quem está no topo da lista? A primeiríssima é ela mesma: Munique, a capital da Baviera. Seguida de Münster, Hamburgo e Düsseldorf. Como se pode concluir, Berlim, para ser a capital do país, estava numa posição bastante desfavorável. Mas um dia ela ainda chega lá. Espero que lá na frente e não de novo láááááááááá no rabo da gata. Vamos torcer.

Fotos: 1ª (Reto Klar), feita na torre de televisão; 2ª (Partner-FTB),vista parcial, onde se vê o rio Spree e a Ilha dos Museus.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Sherlock Holmes de Berlim


Há meses o legista Michael Tsokos, chefe do Departamento de Medicina Legal de Berlim, procura incansavelmente por uma prova de DNA de Rosa Luxemburgo, mas até agora sem sucesso. Ele precisa da prova para esclarecer se a defunta exposta e meio esquecida numa vitrine do porão do instituto é mesmo o corpo da famosa líder comunista, morta por paramilitares em 1919. Na esperança de agilizar o desfecho da história, Tsokos levou o caso ao conhecimento público. Desde então, mais de cem pessoas o contactaram com possíveis indícios e o legista já conseguiu averiguar a metade deles, porém nenhum foi verossímel. A busca continua improdutiva.


Uma pista quente ofereceu o herbário de Rosa, 18 cadernos guardados dentro de uma caixinha azul no Arquivo Central de Varsóvia, na Polônia, desde que foi doado, no final da década de 70, de uma coleção privada americana. E foi para lá que Tsoko se mandou em junho deste ano, a fim de recolher mostras de DNA entre as folhas e flores primorosamente colodas e documentadas nas páginas. Voltou para Berlim com quase 40 vidrinhos de material recolhido. Depois de semanas e semanas aguardando o resultado de todos os exames feitos por especialistas do setor de microbiologia do Departamento de Genética Forense, teve finalmente a esperada resposta. E ela foi decepcionante.


Os vestígios que Tsokos recolheu cuidadosamente do herbário são comprovadamente de origem masculina (quer dizer, deixados ali, durante todo esse tempo, por homens) e já por isso não podem ser comparados com o perfil do DNA da defunta do porão. Mas vem pior: nem sequer a prova do DNA de uma suposta sobrinha da líder, que vive em Vilnius, na Lituânia, e tem 95 anos, não vai ajudar na solução do caso. Segundo os peritos, esse parentesco já está muito distante e daria uma probabilidade de acerto de apenas 60%, muito abaixo portanto dos 99,9% exigidos por uma base científica.


Michael Tsokos continua esperançoso de algum dia topar com uma prova decisiva. Talvez alguém, que tenha uma roupa original de Rosa Luxemburgo guardada no sótão da casa (depois de 90 anos, vejam só!) – onde possa ser encontrado ainda, com muita sorte, um cabelo ou uma minúscula camada de pele –, dê notícias no futuro. Seria o detalhe que poderia fazer toda a diferença. Mas tão possível de acontecer como acertar sozinho a Mega-Sena. Até lá, Tsokos vai ter que provar é que tem muuuuuuiiiiiiiiiitaaaaaa paciência para esperar. São os ossos do seu ofício.

Mais sobre o assunto, na postagem de junho "O cadáver do Charité":

http://www.berlinistin.com/2009/06/o-cadaver-do-charite.html

Fotos: Rosa Luxemburgo, todas da internet.

sábado, 10 de outubro de 2009

A torre de televisão


A torre de televisão, um dos símbolos mais famosos de Berlim, completou agora, no início de outubro, 40 anos de idade. Ela foi edificada de 1965 a 1969 e pertencia, antes da queda do Muro, ao lado Oriental (a Alemanha comunista). A torre, com seus 368 metros, é o mais alto monumento alemão, além de ser ainda a quarta construção em altura na Europa. Ela possui 26 mil toneladas, o que representa o peso de cerca de 216 locomotivas ou 866 vagões cheinhos de carvão. O peso da circunferência superior, onde fica o restaurante com a plataforma giratória e a vista panorâmica, é tanto como se tivessem sido penduradas 40 locomotivas só aí. Esse globo tem 32 metros de diâmetro e pesa 4800 toneladas.


Uma curiosidade. Quando o sol reflete na esfera, aparece no metal a imagem de uma cruz (observem a foto). Os berlinenses chamam a isso, na brincadeira, de "vingança do papa", em alusão ao ateísmo do regime socialista (que mandou erguer o monumento) e a discriminação religiosa na antiga DDR. Existem várias anedotas sobre esse fato. Uma diz que o arquiteto responsável pela obra foi interrogado pela Stasi (a temida polícia secreta) para saber se ele planejara intencionalmente o aparecimento dessa cruz. Outra piadinha fala que o governo comunista ficou tão irritado com esse símbolo resplandescente que chegou até a cogitar a derrubada da torre. Por fim, outra chacota diz que os líderes do governo, fugindo ao embaraço, afirmaram que não era uma cruz (e, portanto, uma intromissão religiosa) coisa nenhuma, apenas um sinal de "mais" para o socialismo. De qualquer forma, quando Ronald Reagan discursou em frente ao Portão de Brandemburgo, em 1987, usou como base essas anedotas para criticar o regime do outro lado do muro e disse que desde a construção da torre o governo socialista vinha tentando com tintas e produtos químicos a remoção do inconveniente reflexo, mas sem sucesso.


Com a queda do Muro, em 1989, a torre passou a ser um símbolo de Berlim como um todo e é visitada anualmente por cerca de um milhão turistas do mundo inteiro.

Fotos: 1ª e 3ª, dpa; 2ª, Wkimedia commons.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Nobel de Literatura em Berlim



Friedenau é um pedaço pacato da cidade, localizado no bairro de Schöneberg (no mapinha de Berlim na coluna ao lado é o número 4). Sua geografia charmosa está repleta de ruas tranquilas, arborizadas, prédios com pequenos jardins na entrada e um bom número de edifícios tombados. Só que Friedenau (leiam Frídenau) não é conhecido apenas por seu sossego – mas principalmente pelo número de escritores que aí já residiram, como Erich Kästner e Uwe Johnson, e até um prêmio Nobel de Literatura, o Günter Grass, que morou por lá antes de ser condecorado. Aí também tem um cemitério idílico, chamado de “cemitério dos artistas”, com vários defuntos famosos, como Marlene Dietrich e Helmut Newton. Agora foi tornado público que o bairro tem mais uma moradora ilustre: Herta Müller. Ela acabou de ganhar o Nobel de Literatura.

E quem é ela?


Herta Müller nasceu na Romênia em 17 de agosto de 1953, em Nitzkydorf, uma cidade onde se fala alemão. Em 1987, depois que o seu primeiro livro foi censurado e ela sofreu vários interrogatórios e batidas policiais em casa, resolveu deixar o país e fixar residência em Berlim (no lado Ocidental). Em 1989, o ano da queda do Muro, houve o lançamento do seu livro “Reisend auf einem Bein” (tosco: Viajante sobre uma perna). Em seguida vieram “Der Fuchs war damals schon der Jäger, (A raposa era na época a caçadora), onde narra o dia-a-dia num regime totalitário; “Herztier” (Bicho do coração), onde conta a vida dos opositores do regime na Romênia; “Der König verneig sich und tötet (O rei faz uma reverência e mata) e ainda “Die blassen Herren mit den Mokkatassen” (Os senhores pálidos com a taça de café). Ao todo, ela já escreveu 22 livros. O atual, intitulado “Atemschaukel” (Balanço do fôlego), foi nominado para receber o Prêmio Alemão de Livros, que vai se realizar na próxima semana em Frankfurt. Herta Müller já recebeu muitos prêmios (num total de 25) e é membro da Academia Alemã de Idiomas e Literatura.

Fotos: 1ª, 2ª e 3ª (internet), uma rua de Friedenau, um tipo de arquitetura do bairro e a vista parcial; 4ª (ddp), a Nobel de Literatura Herta Müller, cercada de fotógrafos em frente ao prédio onde mora, em Friedenau.

Obs: Fiz uma tradução livre (tosca) e literal dos títulos dos livros da escritora, pois não sei que nomes eles receberam no idioma português.

Mais sobre Friedenau:

http://www.berlin-audiovisuell.de/sehenswertes/die-stadt-erkunden/friedenau/index.php

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Aconteceu nesses dias


Primeiro. Essa todo mundo já sabe há dias, mas vou repetir assim mesmo: Angela Merkel continua sendo a chanceler alemã, dessa vez fazendo coalisão com o FDP (Partido Democrático Liberal), que voltou a empunhar a batuta do governo depois de 11 anos de pausa. O SPD (Partido Social-Democrata) perdeu feio, feio, principalmente aqui em Berlim, amargando o pior resultado eleitoral desde 1949. Agora eles estão discutindo como modernizar o partido. Klaus Wowereit, o prefeito berlinense, falou que o SPD precisa afiar o seu perfil social e iniciar um processo de rejuvenescimento. Alguns já vêm como prenúncio de mudança a necessidade da saída do presidente do partido, Franz Münterfering, que apesar de namorar uma mulher bastante jovem, já está atingindo os 70 anos.

Segundo. No dia 03 de outubro foi comemorado os 20 anos de reunificação alemã com um grande concerto pop em frente ao Portão de Brandemburgo. O ponto alto da festividade foi o encontro de duas marionetes gigantes da companhia francesa Royal de Luxe que durante três dias de encenação contaram a história de uma família (tio e sobrinha) que vivia no lado oriental (ela) e ocidental (ele). O espetáculo começou em frente à Prefeitura, em Mitte, com a pequena-gigante (7,5 metros) despertando do sono para sair em busca do tio, o outro boneco colossal (15 metros), e terminou com o abraço dos dois ante o aplauso de cem mil espectadores e do brado entusiasmado de Klaus Wowereit, o prefeito de Berlim, que gritou um "Vive la France" tão alto, como se quisesse ser ouvido em Paris, sem microfone.


Terceiro. Knut e Giovanna finalmente se encontraram sem grades de separação, mas sob os olhares cuidadosos dos funcionários do zoo. O primeiro encontro foi tranquilo, embora a moça tenha dado uma boa patada no focinho do superastro quando esse, vencendo a timidez, tentou se aproximar para farejá-la melhor. Já dá pra ver quem vai cantar de galo nesse cercado.

Fotos: 1ª, a sala do plenário (internet); 2ª, as marionetes gigantes em frente ao Portão de Brandemburgo (Bild.de); 3ª Knut e Giovanna (também chamada de Gianna) no primeiro encontro (dpa).

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

O rei dos fios


O nosso gato Merlin, o poderoso-chefão da casa, o rei dos cabos elétricos, curte despreocupadamente a sua crise de identidade. Dorme relaxado e contente, com a barriga e as patas para cima, igualzinho a um urso, e não pode ver um fio dando sopa que o ataca sem piedade, como se fosse um coelho devorando uma cenoura. A última vítima dos seus dentes afiados foi o fio do transformador do meu laptop. Num momento de grande leseira, desliguei o computador já caindo de sono e o deixei no chão, ao pé da cama, com o fio "bem escondidinho" embaixo dela. Quem falou "escondidinho"?


Fui acordada no meio da noite por um barulhento "troc-troc", "troc-troc", totalmente fora dos meus bons sonhos e do silêncio do quarto. Quando consegui levantar as pestanas e acender o abajur, dei de cara com Merlin devorando gulosamente o fio, que ele puxara sem problema com as patinhas e ainda o sustentava com as duas dianteiras, como se fosse realmente uma deliciosa cenoura.


Não é possível!!! Quem tem um gato como Merlin é possível, sim! Ele estava lá, são, salvo e feliz, agarrando um fio todo babado e já furado como uma peneira, que ainda, diga-se de passagem, estava ligado na tomada. Choque? Alguém sabe o que é isso? Merlin dá um jeito de executar o serviço sem cair durinho por uma descarga elétrica. Como ele consegue é um mistério - mas é a sua especialidade. A mim, sobrou um baita de um prejuízo e duas semanas sem computador. Comprei um novo adaptador que não funcionou e tive que trocar por um outro. Essa brincadeirinha me custou 60 euros!(Ai, meu bolso!) Leseira às vezes sai caro, viu.

Fotos: Merlin, o dono do pedaço. Na última, ele está dormindo com Amigo.