Em Berlim o 1º de maio já tem uma tradição. É um dia cheio de demonstrantes e policiais pelas ruas, alguns trechos são fechados para as inúmeras passeatas que acontecem: de trabalhadores, de autônomos de esquerda e até de extremistas de direita. Não raro tanto “engajamento” termina em tumulto, quebra-quebra e detenções, principalmente quando a noite chega e o álcool extra estimula alguns indivíduos a armar a maior zaragata. Mas até agora, o embate dessas diversas tendências pelas ruas da cidade tem sido relativamente pacífico, embora não deixe de ser um dia duro para a polícia, que tem que agir rápido e preciso para não deixar que determinados grupos se concentrem num único local, porque aí a desordem pode estar programada. Mesmo assim, um policial foi ferido nas costas por uma faca. Ele foi transportado de ambulância para o hospital e uma comissão especial está investigando o caso.

E em Kreuzberg, cerca de 8 a 10 mil demonstrantes de esquerda conseguiram fazer retroceder a passeata dos neonazistas, que marchavam em direção a Schönhauser Allee, em Prenzlauer Berg. Eles ficaram assustados com a barreira humana formada pelos autônomos e decidiram voltar antes de atingir a meta. Da varanda de alguns edifícios, os moradores ajudavam a ação dos esquerdistas promovendo um clima de estádio de futebol: à base de assovios e gritos de “até logo” e “tchau”, eles demarcavam seu território, como que dizendo para os extremistas de direita: “aqui, vocês não passam!”
fotos: 1ª (dpa), demonstrantes aguardando o início da passeata. No balão verde está escrito "Sem espaço para nazistas"; 2ª (Tagesspiegel), a passeata dos autônomos; 3ª (dpa) a barreira policial; 4ª e 5ª (dpa), mais alternativos e a passeatas dos trabalhadores sendo também puxada pelo prefeito de Berlim, Klaus Wowereit.


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