quarta-feira, 12 de maio de 2010

Memorial do Holocausto



O Memorial do Holocausto de Berlim está completando 5 anos. Desde o dia 12 de maio de 2005, quando foi aberto ao público, cerca de 8 milhões de pessoas já visitaram o local. Essa cifra confirma uma boa notícia: o monumento, que teve um parto difícil, marcado por anos de críticas, enxurradas de debates e até escândalos, superou tudo isso e estabeleceu-se definitivamente como um dos pontos da cidade mais procurado pelos turistas. O memorial, em si, uma criação do arquiteto Peter Eisenman, é uma impressionante construção, cravada estrategicamente entre o Portão de Brandemburgo e a Potsdamer Platz, no bairro de Mitte (Centro). São 2711 colunas de concreto, firmadas em 19 mil metros quadrados – uma área que toma o quateirão inteiro –, erguidas com ângulos variados (54 na posição Norte-Sul e 87 em Leste-Oeste) e alturas diferentes (as mais baixas, com menos de um metro, e as mais altas, com 4,7 metros). Isso tudo gera uma ondulação que causa um poderoso impacto visual, sublinhado ainda pela estreita expessura entre as colunas: os 95 centímetros entre elas oferecem um caminho livre para o visitante, mas a medida é quase insuficiente para dar passagem a duas pessoas ao mesmo tempo.


Embora revidada por Eisenman, a primeira impressão que a obra transmite é a lembrança estetizada de um austero cemitério, e as colunas parecem “tragar” o visitante à medida que ele se adentra nos corredores. Mas o curioso do monumento é que, apesar dele não ser um “campo santo”, cumpre dignamente a sua função: lembra os seis milhões de judeus mortos, sem colocar em primeiro plano a barbaridade disso. O memorial é completado ainda por uma exposição no subsolo, O Centro de Informações, onde o visitante é apresentado à uma decente documentação de época, em forma de imagens e registros, além de entrar em contato com histórias individuais, através de um banco de dados que oferece a biografia de 700 vítimas do holocausto.


O Memorial do Holocausto enfrentou as mais diversas celeumas. O primeiro problema surgiu quando o então chanceler alemão, Helmut Kohl, vetou o projeto original, que havia ganho o concurso no ano anterior (1994). Depois de dois anos de acirrada discussão, foi aberto um novo concurso, vencendo dessa vez o arquiteto Peter Eisenman e o escultor Richard Serra. Em 2003 os trabalhos finalmente começaram, mas logo Serra se desligou do projeto, insatisfeito com algumas mudanças (a área construída tornara-se menor e no limite com o parque de Tiergarten seriam colocadas 40 árvores). Pouco depois, foi descoberto que a empresa que fornecia o material para a construção da obra havia tido uma co-irmã que produzira o Zyklon B, usado justamente nas câmaras de gás. O escândalo tomou pé e o trabalho foi suspenso por um período.


E novas discussões tomaram forma: que apenas os judeus seriam lembrados nesse monumento, deixando outras vítimas do holocausto de fora, como os Sintis e Romas (ciganos). Depois de muito bate-boca, os Sintis e Romas também receberam um memorial menor. Mas aí um novo debate entrou em cena: a separação em grupos das vítimas do holocausto. E não parou nisso: o monumento vai-não-vai danificar a memória do holocausto? Ele passa-não-passa uma mensagem? Vai-não-vai ficar entregue às moscas? Vai-não-vai ser uma banalização de um momento histórico?... Hoje o monumento está aí, firme, forte (salvo algumas rachaduras) e aceito, dando um troco para tudo isso: não só pelo grande número de seus visitantes, mas principalmente por ter se tornado também um símbolo de como a sociedade é capaz de refletir civilizadamente sobre a sua própria história.


Fotos: 1ª (ddp); 2ª (Rückeis); 3ª (Mike Wolff); 4ª e 5ª (dpa); 6ª (Deutsche Welle). O monumento foi inaugurado oficialmente no dia 10 de maio de 2005.

Mais sobre o Memorial em alemão:

Em português:

4 comentários:

Tathi

Fantástico! Fiquei impressionada quando conheci o memorial, pena que não fui ao subsolo, fica para a próxima vez. Beijos.

Zilma

E assim você tem mais um motivo para nos visitar outra vez. Estamos aguardando. Beijos.

Bruno Jordao

-Onde estou morando, dá janela da pra ver,impressiona o lugar..

Recomendo a todos

abraços

brunojordao@ymail.com

Zilma

É um local bastante privilegiado, Bruno, sem dúvida. Abraço.