terça-feira, 27 de abril de 2010

Suicídio no Reichstag


Berlin não é visitada apenas por turistas risonhos, que circulam pelas ruas da cidade, sozinhos ou em grupos, e conhecem os monumentos históricos. Há aqueles que trazem na mala os problemas caseiros e não conseguem “desligar” nem nos dias de férias. Como há ainda os que, por um motivo ou outro, fracassam ao tentar contornar os próprios infortúnios – e esses tornam-se maiores que o saco da alma. O agravante é quando os problemas transbordam e a pessoa sente-se incapacitada de enfrentá-los. Sábado passado um turista deu uma triste prova disso e tirou a própria vida em plena cúpula do Reichstag, a sede do parlamento alemão. Foi o primeiro – e espero que último – caso de suicídio nesse monumento.

O cidadão tinha 45 anos, era de Soligen, uma cidade alemã localizada na Renânia do Norte (de onde vêm aquelas famosas tesouras e descascadores de alimentos), e visitava Berlim com um grupo de viagem. De repente, quando estavam no terraço da cúpula, de onde se tem uma visão panorâmica da cidade, ele desvinculou-se dos companheiros e, na frente de todos, pulou para o pátio interno, que fica no térreo do edifício. Teve morte instantânea. A polícia afirmou que está fora de cogitação ter sido um acidente. Depois disso, o Reichstag ficou fechado para visitação nesse fim de semana.


foto: o Reichstag (de Svetlana Boo). Leiam "Raichstag".

Mais sobre o caso aqui e/ou aqui.

sábado, 24 de abril de 2010

Summer of Berlin


Berlim volta à normalidade. Quem estava enfrentando uma estadia forçada por aqui, desde que as partículas de poeira daquele vulcão impronunciával provocou a maior anarquia nos aeroportos europeus, já bateu em retirada e agora a cidade se prepara para receber a grande leva dos turistas convencionais. Os dias estão ensolarados, embora a temperatura, como um fogão engasgado, não esquente como exige a impaciência dos nossos ossos, ainda entrevados pelo frio do último inverno, atingindo os 16 graus com uma certa dificuldade. Mesmo assim, foi dada a largada para a vida ao ar livre e os quase 30 Strandbars (os famosos “barzinhos de praia”– saiba o que é isso aqui) estão abrindo suas portas, mesmo que a clientela ainda chegue paramentada com casaco e pulover.


E os organizadores inauguram a nova temporada cheios de idéias de auto-promoção. A 1ª é lançar esses estabelecimentos mundialmente, vinculados à imagem do verão de Berlim (esse mesmo, que não chega), como se fosse uma marca. E correram atrás de um título, para “dar nome aos bois”, como uma forma de despertar a curiosidade das pessoas e animá-las a uma visita, de modo que de Corumbá à China se associe numa piscada o termo à idéia. Pensaram e pensaram, mas como os neurônios só devergarzinho estão descongelando do rigoroso inverno, decidiram batizar a coisa com esse nome originalíssimo: Summer of Berlin. E isso significa as festas, os festivais e o espichar-se ao sol, que os berlinenses e a turistada vão curtir quando a temperatura sair desse morno-minguado-quase-frio e resolver dourar a nossas peles e não apenas torrar a nossa paciência à espera – longa espera – por dias melhores.


fotos: Strandbars - 1ª, ddp; 2ª der-hoenower.de