segunda-feira, 24 de maio de 2010

Carnaval das Culturas 2010







Mais um Carnaval das Culturas em Berlim, já o 15º. Ruas cheias, coloridas, muito ritmo e alegria no desfile deste domingo. Fomos dar uma olhada na festa com a minha mãe, que está nos visitando. O dia estava nublado, mas não choveu. Como escrevi minuciosamente sobre o carnaval do último ano, bateu a preguiça nesse de detalhar mais. Preferi curtir um bom papo com a minha mãe. Vou deixar o link do texto anterior para vocês.

http://www.berlinistin.com/2009/05/carnaval-das-culturas-em-berlim.html

fotos: da 1ª a 6ª, David von Becker; 7ª, dpa; 8ª David von Becker; 9ª ddp

domingo, 16 de maio de 2010

Cadê o bom tempo??!!


Nublada, úmida e com a temperatura permanentemente despencada, assim tem sido a nossa primavera até agora, e já estamos no meio de maio, o famoso mês das flores, em plena marcha para o iníciozinho do verão. Os jornais têm comentado que, a nível de clima, esse é o pior maio da década. Alguns dramatizam logo e escrevem “o pior mês de maio do milênio!”, demonstrando o claro desespero de quem engoliu bastante gelo no últmo inverno e suportou muito frio de lá para cá, sem ver ainda o tão esperado e ansiado bom tempo chegar.


E a culpa desse clima mal humorado é uma frente fria vinda do Norte que até um nome já recebeu (chama-se “Xena”) e está fazendo a maior festa por aqui, impedindo que os termômetros atinjam temperatura acima de 15 graus. Pois é, esses ventos gelados estão chegando da mesma região das nuvens de fumaça que deixaram os aeroportos europeus sem funcionamento, e embora uma coisa não tenha a ver com outra, somos tentados a concluir que a Natureza por aquelas bandas anda meio embirrada, anarquizando o que pode e boicotando por completo a nossa primavera, que está indo definitivamente de água abaixo. Alguém tem por aí o telefone ou o email de São Pedro? Serve também o de Thor...


foto: 1ª, welt.de: passantes na Berliner Dom (a catedral berlinense); 2ª, internet.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Memorial do Holocausto



O Memorial do Holocausto de Berlim está completando 5 anos. Desde o dia 12 de maio de 2005, quando foi aberto ao público, cerca de 8 milhões de pessoas já visitaram o local. Essa cifra confirma uma boa notícia: o monumento, que teve um parto difícil, marcado por anos de críticas, enxurradas de debates e até escândalos, superou tudo isso e estabeleceu-se definitivamente como um dos pontos da cidade mais procurado pelos turistas. O memorial, em si, uma criação do arquiteto Peter Eisenman, é uma impressionante construção, cravada estrategicamente entre o Portão de Brandemburgo e a Potsdamer Platz, no bairro de Mitte (Centro). São 2711 colunas de concreto, firmadas em 19 mil metros quadrados – uma área que toma o quateirão inteiro –, erguidas com ângulos variados (54 na posição Norte-Sul e 87 em Leste-Oeste) e alturas diferentes (as mais baixas, com menos de um metro, e as mais altas, com 4,7 metros). Isso tudo gera uma ondulação que causa um poderoso impacto visual, sublinhado ainda pela estreita expessura entre as colunas: os 95 centímetros entre elas oferecem um caminho livre para o visitante, mas a medida é quase insuficiente para dar passagem a duas pessoas ao mesmo tempo.


Embora revidada por Eisenman, a primeira impressão que a obra transmite é a lembrança estetizada de um austero cemitério, e as colunas parecem “tragar” o visitante à medida que ele se adentra nos corredores. Mas o curioso do monumento é que, apesar dele não ser um “campo santo”, cumpre dignamente a sua função: lembra os seis milhões de judeus mortos, sem colocar em primeiro plano a barbaridade disso. O memorial é completado ainda por uma exposição no subsolo, O Centro de Informações, onde o visitante é apresentado à uma decente documentação de época, em forma de imagens e registros, além de entrar em contato com histórias individuais, através de um banco de dados que oferece a biografia de 700 vítimas do holocausto.


O Memorial do Holocausto enfrentou as mais diversas celeumas. O primeiro problema surgiu quando o então chanceler alemão, Helmut Kohl, vetou o projeto original, que havia ganho o concurso no ano anterior (1994). Depois de dois anos de acirrada discussão, foi aberto um novo concurso, vencendo dessa vez o arquiteto Peter Eisenman e o escultor Richard Serra. Em 2003 os trabalhos finalmente começaram, mas logo Serra se desligou do projeto, insatisfeito com algumas mudanças (a área construída tornara-se menor e no limite com o parque de Tiergarten seriam colocadas 40 árvores). Pouco depois, foi descoberto que a empresa que fornecia o material para a construção da obra havia tido uma co-irmã que produzira o Zyklon B, usado justamente nas câmaras de gás. O escândalo tomou pé e o trabalho foi suspenso por um período.


E novas discussões tomaram forma: que apenas os judeus seriam lembrados nesse monumento, deixando outras vítimas do holocausto de fora, como os Sintis e Romas (ciganos). Depois de muito bate-boca, os Sintis e Romas também receberam um memorial menor. Mas aí um novo debate entrou em cena: a separação em grupos das vítimas do holocausto. E não parou nisso: o monumento vai-não-vai danificar a memória do holocausto? Ele passa-não-passa uma mensagem? Vai-não-vai ficar entregue às moscas? Vai-não-vai ser uma banalização de um momento histórico?... Hoje o monumento está aí, firme, forte (salvo algumas rachaduras) e aceito, dando um troco para tudo isso: não só pelo grande número de seus visitantes, mas principalmente por ter se tornado também um símbolo de como a sociedade é capaz de refletir civilizadamente sobre a sua própria história.


Fotos: 1ª (ddp); 2ª (Rückeis); 3ª (Mike Wolff); 4ª e 5ª (dpa); 6ª (Deutsche Welle). O monumento foi inaugurado oficialmente no dia 10 de maio de 2005.

Mais sobre o Memorial em alemão:

Em português:

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Bárbaro ruibarbo de Bárbara


O idioma alemão, como tudo mundo sabe, tem a curiosa especialidade de sair juntando uma palavra à outra para ir formando novos vocábulos. O que a gente diz em português numa frase inteira, em alemão é tudo “comprimido” num só termo. Essa nova palavra, não raro, toma as proporções de um trem e, no início, a gente se admira como é possível alguém falar tamanho exagero de muitas consoantes e poucas vogais, coladas umas às outras, sem dar um nó cego na língua. Milagre alemão. Uma das maiores palavras que conheço nesse idioma é


Donaudampfschifffahrtsgesellschaft”,


um monstrengo de 34 letras que significa algo como “sociedade de saída de navios a vapor do Danúbio”. Mas com frequência a pessoa se defronta com “quebra-línguas” acima de 25 letras. Catei no You Tube um vídeo que exemplifica bem esse “prodígio”. Chama-se “Rhabarberbarbara” (ruibarbo de Bárbara) e, claro, é uma brincadeira. O divertido na história é a formação de novas palavras, um atropelo de letras que se juntam como vagões e parecem que vão descarrilhar a qualquer momento. Para quem tem a curiosidade de ouvir ou ler, vou colocar o vídeo com a tradução numa postagem extra, logo abaixo, para essa não ficar imensa. Só mais um aviso: é uma estrovenga também em português!

O ruibarbo de Bárbara



Ruibarbo de Bárbara


“Num pequeno povoado morava uma moça por nome Bárbara. Bárbara era conhecida em toda região por seu excelente bolo de ruibarbo. Como todos gostavam de comer o bolo de ruibarbo de Bárbara, passaram a chamá-lo de ruibarbo de Bárbara. E Bárbara do ruibarbo viu logo que poderia ganhar dinheiro com o seu bolo de ruibarbo. Por isso, ela abriu um bar, o bar do ruibarbo de Bárbara. Naturalmente, o bar passou a ter fregueses habituais. O mais conhecido deles, três bárbaros, iam tanto ao bar de ruibarbo de Bárbara para comer o delicioso bolo de ruibarbo de Bárbara, que logo ficaram conhecidos como os bárbaros do bar de ruibarbo de Bárbara. Os bárbaros do bar de ruibarbo de Bárbara tinham barbas barbaramente fechadas. Quando os bárbaros do bar de ruibarbo de Bárbara queriam se barbear iam para o barbeiro. O único barbeiro que podia fazer as bárbaras barbas dos bárbaros do bar de ruibarbo de Bárbara aceitou naturalmente o trabalho, passando a chamar-se de barbeiro das bárbaras barbas dos bárbaros do bar de ruibarbo de Bárbara. E o barbeiro das bárbaras barbas dos bárbaros do bar de ruibarbo de Bárbara recebia o bolo de ruibarbo de Bárbara dos bárbaros do bar de ruibarbo de Bárbara e o acompanhava sempre com uma cerveja, que carinhosamente chamava de cerveja do barbeiro das bárbaras barbas dos bárbaros do bar de ruibarbo de Bárbara. E a cerveja do barbeiro das bárbaras barbas dos bárbaros do bar de ruibarbo de Bárbara só poderia ser comprada num único bar. A vendedora do bar da cerveja do barbeiro das bárbaras barbas dos bárbaros do bar de ruibarbo de Bárbara se chamava Bärbel. Depois de barbear as bárbaras barbas, os bárbaros do bar de ruibarbo de Bárbara iam com o barbeiro das bárbaras barbas dos bárbaros do bar de ruibarbo de Bárbara no bar da cerveja do barbeiro das bárbaras barbas dos bárbaros do bar de ruibarbo de Bárbara e lá eram servidos pela Bärbel do bar da cerveja do barbeiro das bárbaras barbas dos bárbaros do bar de ruibarbo de Bárbara, para comer o bolo do bar de ruibarbo de Bárbara, de Bárbara. Pronto. Não acredito que um de vocês tenha entendido essa história. Mas mesmo se, foram apenas dois minutos de suas vidas que foram jogados fora. Ra! Por que vocês fazem isso?”

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Deu zebra


E então aconteceu. Berlim vive o seu pesadelo futebolístico: Hertha BSC, o querido time da cidade, caiu de divisão nesse último fim de semana. Agora Berlim passa pelo vexame de ser a única capital européia sem futebol de primeira classe. A queda do time foi feia e continuada: em 13 meses, ele saiu da posição de líder da tabela para terminar no porão das pontuações. O último jogo foi, portanto, apenas o coroamento do fracasso. Sábado passado os fãs lotaram o estádio do BayArena, em Leverkusen, com a derradeira esperança de ver o time continuar jogando na primeira divisão. Só que para isso Hertha precisava da vitória de qualquer jeito, no embate contra o time local. E deu zebra.


Os berlinenses deram tudo de si para apoiar a equipe em campo: vibraram, gritaram, tremeram, tentaram empurrar o time de qualquer forma para a frente. E quando Hertha abriu o placar, até parecia que o sonho de vitória iria se tornar real. Mas depois, o time e os fãs foram saculejados pelo gol da equipe adversária. E esse empate no resultado foi o fim, o ponto final naquela esperançazinha teimosa de acreditar na materialização de um milagre. Hora do choro, de guardar a bandeira, de se curar da febre do entusiasmo, de enfrentar, enfim, a baita decepção e voltar para a realidade com a certeza: Hertha vai ter que trabalhar muito, mas muito duro nos próximos meses, se quiser reverter esse quadro.


fotos: 1ª e 2ª (dpa) o time após o último jogo; 3ª (Getty Images) os fãs na hora do jogo; 4ª (ddp) o choro depois.

sábado, 1 de maio de 2010

1º de maio em Berlim


Em Berlim o 1º de maio já tem uma tradição. É um dia cheio de demonstrantes e policiais pelas ruas, alguns trechos são fechados para as inúmeras passeatas que acontecem: de trabalhadores, de autônomos de esquerda e até de extremistas de direita. Não raro tanto “engajamento” termina em tumulto, quebra-quebra e detenções, principalmente quando a noite chega e o álcool extra estimula alguns indivíduos a armar a maior zaragata. Mas até agora, o embate dessas diversas tendências pelas ruas da cidade tem sido relativamente pacífico, embora não deixe de ser um dia duro para a polícia, que tem que agir rápido e preciso para não deixar que determinados grupos se concentrem num único local, porque aí a desordem pode estar programada. Mesmo assim, um policial foi ferido nas costas por uma faca. Ele foi transportado de ambulância para o hospital e uma comissão especial está investigando o caso.



E em Kreuzberg, cerca de 8 a 10 mil demonstrantes de esquerda conseguiram fazer retroceder a passeata dos neonazistas, que marchavam em direção a Schönhauser Allee, em Prenzlauer Berg. Eles ficaram assustados com a barreira humana formada pelos autônomos e decidiram voltar antes de atingir a meta. Da varanda de alguns edifícios, os moradores ajudavam a ação dos esquerdistas promovendo um clima de estádio de futebol: à base de assovios e gritos de “até logo” e “tchau”, eles demarcavam seu território, como que dizendo para os extremistas de direita: “aqui, vocês não passam!”


fotos: 1ª (dpa), demonstrantes aguardando o início da passeata. No balão verde está escrito "Sem espaço para nazistas"; 2ª (Tagesspiegel), a passeata dos autônomos; 3ª (dpa) a barreira policial; 4ª e 5ª (dpa), mais alternativos e a passeatas dos trabalhadores sendo também puxada pelo prefeito de Berlim, Klaus Wowereit.