Knut, poucos dias antes da morte. Foto: dpa
Cerca de 70 gatos pingados foi todo o contingente de pessoas reunidas ontem em frente ao zoológico de Berlim, em protesto contra o empalhamento de Knut. Para uma demonstração que aparentava levar a bandeira de um grande número de insatisfeitos, e que fora, durante dias, anunciada na internet, uma quantia bastante mixuruca. Os berlinenses parecem pensar, resignados: Knut está morto, mesmo... nada mais podemos fazer por ele. Sim, Knut está morto. E o pior é que morreu à míngua, ante a notória indiferença daqueles que deveriam zelar pelo o seu bem-estar. Desabou perante a estupefação do público que o visitava.
Knut, o queridinho de todos, com seu exército de fãs, seu magnetismo que atraía as massas, era um solitário. Uma espécie de brinquedo vivo, que foi inescrupulosamente usado. Pelo zoo berlinense, que nunca o enxergou além do lucro que ele proporcionava com as vendas dos ingressos e dos souvenirs. Pela mídia, que também obtinha grande vantagem financeira com a sua história e as suas fotos. E até por nós, que de uma forma ou de outra, tomamos parte dessa engrenagem e pagamos, satisfeitos, por ela.
Foto:dapa
Knut não teve nada dessa glória que lhe foi supostamente dedicada. Nenhum pequeno cercado só para ele, ou a possibilidade de dividí-lo com outros ursos na mesma faixa etária; no final, faltaram, inclusive, brinquedos para ocupá-lo. E, jogado lá no seu canto, ele serviu de atração até o último instante de sua curta vida. Morreu na presença de muitos, sem contar com a ajuda de ninguém.
Nós tivemos de Knut momentos que consideramos belos. Vê-lo era como que flertar com a esperança de um mundo mais consciente, melhorado. Um mundo que nós mesmos cuidamos de destruir, com atos diários de estupidez e inconsequência, de forma paulatina porém constante. Knut, por fim, tornou-se não apenas o símbolo contra o aquecimento global do planeta, mas o emblema de como nós tratamos a Natureza que, como ele, apenas fenece ante os nossos olhos incrédulos e atônitos. Essa está sendo a nossa relação com a Vida.


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