Foto: B.Z.
A direção do zoológico berlinense e o Instituto Leibniz - para pesquisa de animais de zoo e selvagens, apresentaram nesta sexta-feira, em entrevista coletiva, o resultado da segunda etapa da autópsia de Knut: ele sofria, há muitas semanas, de uma inflamação cerebral, ocasionada por um vírus. A sua medula também estava comprometida. Depois de colabar, no dia 19 de março, Knut caiu na água e morreu afogado. Ele estava gravemente doente, sem chance de sobrevivência. Células cerebrais já estavam morrendo e foi detectada uma assimetria nos ventrículos. Mas não foi encontrado qualquer indício que apontasse o stress como uma possível causa da enfermidade, ressaltaram. O vírus que o acometeu ainda não foi identificado, e não está descartado que as três ursas que dividiam o cercado com ele também estejam contaminadas; até o momento, contudo, nenhuma apresentou sintomas de doença. Elas serão observadas pelos funcionários do zoo. O restante dos exames da autópsia ainda pode se estender por meses, avisaram. Knut "é, com certeza, o cadáver animal mais minuciosamente examinado na história da pesquisa sobre animais selvagens", acrescentaram. Como se isso servisse de consolo...
O diretor do zoo, Bernhard Blaszkiewitz,
na entervista coletiva. Foto: dapd
Essa versão oficial deixa margem para uma outra pergunta: se Knut estava realmente tão doente, há semanas, como foi declarado, por que nenhum funcionário percebeu o seu estado? Foi explicado que os animais selvagens suportam uma grande quantidade de sofrimento sem dar mostras disso. Knut pode até ter padecido por meses (!) com essa infecção cerebral. Mesmo assim, não deixa de ser estranho que os cuidadores não tenham percebido a menor alteração no comportamento dele, em face a um quadro tão grave. Nenhuma moleza, falta de apetite, apatia... Nada! Dessa maneira, a impressão que se tem é a de que Knut sofreu no seu canto e morreu à mingua, sem ter passado por um exame, sequer, dos veterinários do zoo.
Foto: Lothar Mueller
Independente do resultado da autópsia, os ativistas criticaram novamente a situação de cativeiro dos ursos polares nos zoológicos, que nunca vão dispor de um espaço que atenda adequadamente às suas necessidades de locomoção. Esses animais, quando estão em seu habitat natural, chegam a percorrer 100 quilômetros por dia. Já os 34 ursos polares que vivem nos zoológicos da Alemanha, segundo cálculo da PETA, a organização de defesa animal, dispõem, juntos, somente de 9.500 m². Para quem conhece, isso significa mais ou menos o tamanho do gramado ao redor do Anjo da Vitória, em Berlim. Para esses animais de grande porte, uma área irrisória.
Foto: dapd
Na coletiva, a direção do zoo defendeu ainda os planos de empalhar Knut e cedê-lo para o acervo do Museu de História Natural (Naturkundemuseum) de Berlim, assim que os exames da autópsia forem concluídos. A pele dele, inclusive, já se encontra aos cuidados dos especialistas de taxidermia do estabelecimento. Esse plano, no entanto, vai topar com muita resistência. E os opositores do empalhamento já começam a se movimentar: eles estão organizando uma demonstração de protesto, a ser realizada em frente ao zoo, às 15 horas deste sábado, dia 02 de abril.




3 ♫ abriram o bico ♫:
Quando estava escrevendo essa postagem fiquei em dúvida se empregava a palavra "autópsia" ou "necrópsia" (que são usadas também sem o acento). Na dúvida, optei pela primeira, mas continuo sem certeza..
tadinho dele, não vai ter sossego nem depois de morto.....
Pois é Carolina, essa história de Knut é realmente muito triste...
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